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Piora no cenário

Com um cenário composto pela estagnação no processo de convergência da inflação à meta e pelo risco de que as expectativas de longo prazo possam aumentar, a ata da reunião do Comitê Federal para o Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed) assinalou que alguns membros consideraram como meritória uma eventual decisão para a manutenção da taxa de juros em set/25.

Apesar da consideração, o documento não alterou a leitura de mercado de que ocorram 2 cortes de -0,25 p.p nas reuniões de outubro e dezembro. Assim, a probabilidade de que a taxa básica de juros encerre o ano entre 3,50% a.a. e 3,75% a.a. subiu de 84,8% em 06/10 para 91,7% em 10/10.

Sem um aumento nas apostas de que ocorra uma intensificação da flexibilização monetária e a manutenção do impasse para a aprovação do Orçamento, o apetite ao risco foi impactado pelo recrudescimento da tensão no comércio entre os EUA e a China. Dessa forma, os mercados acionários foram penalizados, com perdas significativas nas bolsas de Nova York. Adicionalmente, na semana, houve fortalecimento do dólar e recuo dos rendimentos das treasuries.

Localmente, o cenário foi agravado pela não aprovação da Medida Provisória nº1.303 e os desafios impostos ao arcabouço fiscal. Ademais, a percepção do risco soberano deteriorou-se substancialmente, com a leitura de uma piora no mercado de crédito offshore. Assim, o prêmio do CDS de 5 anos apresentou uma forte alta na semana, subindo 24,40 bps. para 158,92 bps. Ainda no período, o real depreciou -se em 3,44%, com o dólar cotado a R$ 5,52, enquanto a curva de juros ganhou inclinação.

Com parte relevante da alta explicada pelo fim do bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica, o IPCA saiu de uma deflação de -0,11% em ago/25 para uma alta de 0,48% em setembro. Além de ficar aquém das expectativas do Boletim Focus, o indicador mostrou sinais de acomodação em métricas relevantes para a condução da política monetária. Ainda que a inflação tenha aumentado de 5,13% a.a. para 5,17% a.a., o processo gradativo de desinflação tende a continuar.

Também abaixo do esperado, o IGP-DI avançou 0,36% na margem em setembro, com a taxa desacelerando de 3,00% a.a. para 2,31% a.a.. Em linha com esse quadro, o índice de commodities (IC-Br) recuou -0,04% a.m. em setembro, acumulando uma redução de -10,27% em 2025. Com a Selic em níveis elevados, a atratividade das aplicações em poupança tem perdido espaço para outros instrumentos financeiros de renda fixa. Esse cenário se soma à inflação ainda elevada e ao endividamento das famílias em patamar elevado, aumentando a necessidade de liquidez.

Dessa forma, até setembro, as retiradas líquidas da caderneta de poupança somavam R$ -78,47 bilhões. No que tange ao endividamento das famílias, a pesquisa da CNC indicou que o percentual de endividados alcançou 79,2% em setembro, o maior patamar desde out/22 (+ 0,4 p.p. na margem e +2,0 p.p. em relação a set/24). O total de famílias com dívidas em atraso chegou a 30,5% (+0,1 p.p. na margem e +1,5 p.p. ante set/24). Na agenda da semana, os dados de atividade devem reforçar as perspectivas de baixo crescimento do PIB no 3T25. Destaque para os números do varejo, serviços, IBC-Br e o monitor do PIB-FGV, todos de agosto, além do IGP-10 de outubro. No front externo, serão divulgados a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), vendas no varejo, produção industrial, números do mercado imobiliário e o Livro Bege do Fed nos EUA, além da CPI e produção industrial na Zona do Euro. Na China, saem balança comercial, CPI e PPI.

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