Em julho, o IPCA aumentou 0,26%, bem aquém do esperado (0,34% pelo Focus), de forma que a taxa anualizada desacelerou de 5,35% a.a. em jun/25 para 5,23% a.a.. Na decomposição do índice, algumas medidas qualitativas também se mostraram menos pressionadas, reagindo ao aperto das condições financeiras e ajudando no alívio na tendência de curto prazo.
Alinhando-se a essa surpresa, a inflação projetada no Boletim Focus para 2025 reduziu-se de 5,05% em 08/08 para 4,95% em 15/08 (5,10% há 4 semanas).
Porém, as expectativas inflacionárias de prazo mais longo pouco retrocederam, ainda que se tenha uma leitura majoritária de que a elevação das tarifas dos produtos brasileiros exportados aos EUA tem efeito desinflacionário e, em conta, o recente comportamento benigno dos preços no atacado, a apreciação cambial e a queda nos preços das commodities.
Assim, a mediana das estimativas para o IPCA em 2026 diminuiu de 4,41% para 4,40% (4,45% há 4 semanas). Para o 1T27, horizonte relevante para a política monetária, a expectativa para a inflação acumulada em 4 trimestres passou de 4,25% para 4,24% e, pela 26ª semana consecutiva, o indicador manteve-se em 4,00% para 2027.
Reforçando o sentimento de desaceleração, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou pelo 2º mês consecutivo, -0,06% em junho, acumulando uma alta de apenas 0,28% no 2T25, após uma elevação de 1,46% no 1T25.Em junho, as vendas no varejo ampliado recuaram -2,50% (-0,08% no restrito), apesar do bom dinamismo no mercado de trabalho e da evolução favorável na renda real. Apesar do crescimento de 0,31% em junho, alavancado pelo grupo de Transportes, houve uma deterioração nas aberturas de cada ramo de atividade do setor de serviços.
A divulgação de indicadores econômicos mais fracos favoreceu a aposta na antecipação do processo de flexibilização monetária. Assim, no mercado de opções do Copom da B3, a probabilidade de uma redução de -0,25 p.p. em dezembro aumentou de 17,9% em 08/08 para 19,0% em 15/08.
Nos EUA, a inflação elevada e a desaceleração da economia colocam pressão no mandato duplo do Federal Reserve (Fed) de manutenção do pleno emprego e estabilidade de preços. O descolamento dos últimos números divulgados para o índice de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI), e as próprias expectativas inflacionárias, sugerem que momentaneamente as empresas estão absorvendo a maior parte do aumento nas tarifas no comércio internacional, adiando o repasse nos preços aos consumidores. Embaralhando as cartas, nas apostas para o orçamento para a flexibilização monetária.
Na semana, as atenções se voltam ao resultado do Monitor do PIB da FGV e para a reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef). O IGP-10 de agosto voltou a mostrar queda nos preços agropecuários no atacado e reversão nos preços dos produtos industriais. No front externo, enfoque para a ata da última reunião do Fed e para o discurso de Jerome Powell no Simpósio de Jackson Hole.


