Ligeiramente acima da projeção do Boletim Focus de um aumento de 0,23%, a inflação pelo IPCA caiu pelo 4º mês consecutivo, diminuindo de 0,26% em mai/25 para 0,24% em junho. Contudo, houve uma ligeira aceleração na variação anualizada de 5,32% a.a. para 5,35% a.a.. Por ultrapassar o teto da meta por 6 meses consecutivos, o Banco Central (BC) teve que manifestar, em carta pública ao Ministro da Fazenda, as suas justificativas para o descumprimento.
Como fatores que contribuíram para o descolamento de 2,35 p.p. em relação à meta de 3,00%, o BC apresentou: 0,69 p.p. da inércia de 12 meses (12m) anteriores; 0,58 p.p. das expectativas de inflação; 0,47 p.p. do hiato do produto; 0,46 p.p. da inflação importada; 0,27 p.p. da bandeira tarifária de energia elétrica; e -0,12 p.p. de demais fatores. Adicionalmente, o BC afirmou que espera que a política monetária leve a inflação à faixa de 5,4% a 5,5% nos 3 primeiros trimestres de 2025, caindo para 4,9% a.a. no final do ano e atingindo 4,2% no final do 1T26.
No que tange às expectativas inflacionárias, a projeção no Boletim Focus para 2025 caiu de 5,18% em 04/07 para 5,17% em 11/07. Da mesma forma, a inflação suavizada esperada para os próximos 12m diminuiu de 4,68% para 4,65% e, pela 9ª semana consecutiva, a mediana das previsões para 2026, horizonte relevante para a política monetária, manteve-se em 4,50%. Em relação à inflação corrente, algumas medidas qualitativas vieram em junho menos pressionadas, sinalizando um alívio na tendência de curto prazo, o que pode ajudar no processo desinflacionário, ainda que seja lento, gradual e não linear.
Em linha com os objetivos do BC, o IBC-Br recuou -0,74% na margem em maio, evidenciando uma trajetória de redução gradual da atividade, conforme o desejado pela política monetária restritiva. Com o resultado, o carregamento estatístico para o 2T25 é de apenas 0,16%. Da mesma forma, verificaram-se uma queda mensal de -0,20% em maio no varejo restrito e uma desaceleração na alta do setor de serviços de 0,40% em abr/25 para 0,10% nos serviços.
Por fim, a sinalização da taxação das exportações brasileiras aos EUA em 50%, a partir de 01/08, constituiu-se como um elemento adicional de incerteza ao cenário de inflação. Se de um lado pode resultar em uma apreciação significativa do dólar, os possíveis desdobramentos podem levar a uma expansão na oferta interna, mitigando a pressão nos preços. Reagindo à volatilidade, o real depreciou-se em 2,55% na semana e a taxa real de juros ex-ante de 1 ano subiu 0,10 p.p. para 9,64% a.a., adentrando-se ainda mais em patamar contracionista quando comparado com a taxa neutra de 5,00% a.a. calculada pelo BC e as estimativas de mercado. Para esta semana, ficam as atenções para as divulgações do monitor do PIB e do IGP-10 no ambiente doméstico. Já nos mercados globais, a agenda está cheia, ressaltando-se as inflações ao consumidor e produtor, produção industrial, confiança do consumidor, vendas no varejo, construção de novas moradias e o livro Bege nos EUA, balança comercial, produção industrial, vendas no varejo e PIB da China, e a produção industrial e inflação ao consumidor na Zona do Euro.


