Com a taxa básica de juros em patamar fortemente restritivo, gradualmente vem se constituindo um processo de desinflação. No que se refere à demanda interna, após cair -0,2% em abr/25, a produção industrial registrou um recuo de -0,5% em maio, evidenciando uma perda de tração na atividade no 2T25. Adicionalmente, o Caged reportou uma criação líquida de vagas abaixo da esperada pelos analistas e a variação das importações acumuladas em 12 meses (12m) diminuiu de 12,2% a.a. de abr/25 para 11,3% a.a. em maio.
Ademais, a apreciação cambial vem surtindo efeito favorável na evolução dos indicadores de preços. Assim, beneficiando-se da queda nos preços das matérias primas brutas e das commodities, o IGP-Di apresentou novamente uma deflação na margem, recuando -1,80% em junho. Como consequência, o indicador saiu de uma alta de 6,27% a.a. em mai/25 para 3,83% a.a. em junho. Adicionalmente, a alta mensal no componente de preços ao consumidor do índice reduziu-se de 0,34% para 0,16%, desacelerando de uma variação anualizada de 4,29% a.a. para 4,23% a.a..
A despeito da desancoragem, há ainda uma melhora gradual em boa parte das expectativas de inflação de curto prazo no Boletim Focus do Banco Central (BC). Assim, a expectativa para a inflação pelo IPCA em 2025 caiu de 5,20% para 5,18% (5,44% há 4 semanas). Após 8 semanas em queda, a inflação suavizada esperada para os próximos 12m manteve-se em 4,68% (4,77% há 4 semanas).
Embora devam obrigar ao Ministério da Fazenda a publicar uma carta aberta pelo descumprimento da regra da meta inflacionária, os dados do IPCA de junho que serão divulgados nesta semana deverão ratificar uma dinâmica mais benigna para a inflação, principalmente no que tange aos preços dos alimentos em domicílio e combustíveis.
No cenário externo, com a percepção de que o mercado de trabalho nos EUA permanece robusto e a aprovação do big, beautiful bill, houve na semana um aumento no apetite de risco, com altas nas principais bolsas e desvalorização do dólar no mercado de câmbio internacional. No 1º semestre de 2025, o Dollar Index acumulou uma queda de -10,70%. Além da perda de força do dólar, a moeda brasileira tem sido favorecida pelo elevado diferencial entre as taxas de juros. Assim, apesar da depreciação na sexta-feira, o real apresentou um desempenho mais forte do que a média de seus pares emergentes, apreciando-se em 1,26% na semana e acumulando uma apreciação de 12,02% no 1º semestre de 2025.
Mesmo com o movimento de alta nas taxas de juros internacionais, houve na semana uma queda nos prêmios de risco ao longo da curva local. Como reflexo, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano diminuiu em -0,05 p.p. para 9,55% a.a., contudo mantendo-se ainda em patamar bem acima dos 5,00% a.a. considerado como neutro pelo BC e das avaliações de mercado. Ainda para a semana, haverá também a divulgação do setor de veículos e dos números relativos à caderneta de poupança. No cenário externo, a atenção estará voltada a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), o crédito ao consumidor e estoques no atacado nos EUA, para as vendas no varejo na Zona do Euro e para as inflações ao consumidor e ao produtor na China.


