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Aprovação em 2 etapas

Com a interrupção temporária da elevação da Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu 2 etapas que terão que ser percorridas até que a flexibilização seja iniciada: (1) um prazo para que seja avaliado se o atual nível da taxa de juros é suficiente para assegurar uma trajetória de convergência da inflação à meta; e (2) um período bastante prolongado em que a taxa permanecerá em patamar significativamente contracionista, até que o objetivo seja alcançado.

Ainda no que tange à reunião do Copom, a quantificação das respostas do questionário do BC enviado ao mercado indicou que a maior parte dos analistas avaliou até então os efeitos da guerra comercial como desinflacionários, o cenário externo como mais favorável em relação à última reunião e viam uma piora no quadro fiscal.

Ademais, o Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC) assinalou que os dados de atividade e de mercado de trabalho se apresentaram um pouco mais fortes do que o esperado, com a queda na taxa de desocupação, aumento no nível de ocupação e da taxa de participação. Corroborado pelos dados da Pnad Contínua, com a taxa de desemprego do trimestre finalizado em maio em 6,2%, e do Caged, com a criação líquida de 149,0 mil vagas de trabalho no mês. Mesmo com a manutenção do dinamismo da economia, houve uma relativa melhora no quadro inflacionário, embora os indicadores ainda permaneçam distantes da meta da inflação. A maior parte das expectativas de inflação de curto prazo no Boletim Focus vem se reduzindo gradualmente. Contudo, ainda sem alteração relevante nos horizontes mais longos.

Após períodos de elevada volatilidade, o anúncio de uma trégua no Conflito do Oriente Médio e a antecipação de uma evolução favorável nas negociações comerciais entre EUA e China propiciaram na semana um alívio na aversão ao risco. Diante do atual contexto econômico e político, dados de atividade mais fracos do que o esperado também ajudaram a reforçar este cenário, levando o mercado a projetar 3 cortes de -0,25 p.p. na taxa dos Fed Funds ainda em 2025.

Na semana, o BC realizou um leilão de venda de dólares, conjugado com a oferta equivalente de contratos de swap cambial reverso. Apesar de não alterar a exposição líquida, reduzindo simultaneamente os estoques de reservas líquidas e a posição vendida em swaps, a ação serve para mitigar a pressão no cupom cambial de curto prazo, o que encareceria as operações de hedge e favoreceria o carry trade, e indiretamente a apreciação cambial.

Após ajustar-se à decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 0,25 p.p., a curva de juros voltou a registrar quedas nos prêmios de risco em todos os vértices, com maior intensidade nos prazos intermediários, em linha com o movimento observado no exterior. Assim, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano ficou em 9,60% a.a., o que representou uma retração de -0,05 p.p. na semana. Porém, o indicador mantém em patamar fortemente contracionista quando comparado com a taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo BC e as estimativas de mercado apresentadas no questionário do Pré-Copom.

Para esta semana, atenção para as divulgações dos dados do Caged, da produção industrial e balança comercial. No ambiente externo, foco nos PMIs da China, na Zona do Euro nos PMIs e inflação ao consumidor e nos EUA destaques para os dados do Payroll e PMIs.

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