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Workshop Risco de Mercado – Basileia III

A EY apresentou, em abril, à Comissão de Tesouraria da ABBC um workshop técnico sobre o Fundamental Review of the Trading Book (FRTB), destacando os desafios e as etapas da implementação da terceira fase da regulação no Brasil. A iniciativa faz parte da preparação das instituições financeiras para a adoção integral do framework proposto pelo Comitê de Basileia, cuja abordagem padronizada (RWASENS) está prevista para entrar em vigor em janeiro de 2026.

Durante a palestra, os especialistas da EY contextualizaram o status global da implementação: apenas seis países — Canadá, Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Arábia Saudita e Indonésia — já adotaram integralmente o FRTB. A alta complexidade regulatória foi apontada como a principal razão para o atraso em outras jurisdições. A avaliação do BCBS em 2022 destacou o FRTB como o padrão mais desafiador até o momento, com expectativa de aumento no número de parâmetros em relação ao Basileia II.

No Brasil, algumas medidas já foram implementadas, como a definição da fronteira entre carteiras bancária e de negociação (Res. BCB 311) e o tratamento do risco de crédito na carteira de negociação (Res. BCB 313). A terceira etapa, em fase de consulta pública (Edital 102/2024), propõe a adoção do modelo padronizado de sensibilidade ao risco (RWASENS), que inclui os componentes Delta, Vega e Curvatura, além do Risco Residual (RRAO).

A apresentação destacou a necessidade de adaptação sistêmica por parte dos bancos para atender aos requerimentos. Entre os principais desafios operacionais estão a segmentação das posições por fator de risco, a padronização das sensibilidades, a correta aplicação de pesos regulatórios e a agregação de capital sob diferentes cenários de correlação. O processo exige integração entre áreas como tesouraria, risco, controladoria, tecnologia e governança.

O estudo apresentado pela EY também evidenciou os impactos esperados no capital regulatório. Simulações feitas com instituições norte-americanas indicam aumentos de até 88% no capital requerido apenas com a abordagem padronizada. No Canadá, esse impacto já se traduziu em redução no índice de capital CET1 de grandes bancos.

Outro ponto de atenção são os efeitos do chamado risco base, que surge da divergência entre as correlações de mercado e as impostas pela regulação. A redução de benefícios de hedge entre classes de ativos, característica do FRTB, aumenta o rigor e a robustez da mensuração de risco, mas também pressiona os requerimentos de capital.

Com a implementação da RWASENS prevista para 2026, a palestra reforçou a importância de os bancos anteciparem seus esforços de adequação. Embora o modelo interno do FRTB ainda não tenha data definida para entrada em vigor no Brasil, a abordagem padronizada já servirá como piso de capital, tornando imprescindível seu domínio técnico pelas instituições.

A ABBC, por meio de sua Comissão de Tesouraria, segue atenta às transformações regulatórias e tem atuado como ponto de convergência entre seus associados, reguladores e consultorias especializadas, promovendo debates que contribuem para uma implementação eficiente, transparente e alinhada com as melhores práticas internacionais.

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