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Sem orientação dos próximos passos

Mesmo que a assimetria tenha reduzido, o balanço de riscos para a inflação ainda demanda uma postura cautelosa e parcimoniosa na condução da política monetária. Nesse contexto, é quase certo que a taxa Selic seja elevada em 0,50 p.p. na reunião de 4ª feira. Contudo, diante do cenário repleto de incertezas, remanesce a dúvida sobre os próximos passos. Assim, em função da volatilidade observada recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) não deverá emitir uma orientação futura, preservando a discricionariedade e condicionando as suas decisões futuras à evolução dos principais indicadores econômicos e financeiros. Assim, seria assegurada uma maior flexibilidade e tempestividade na resposta às eventuais mudanças no cenário de referência.

Os números mais recentes do mercado de trabalho para março combinaram uma ligeira piora na taxa de desemprego e uma criação líquida de vagas de trabalho menor do que a esperada. No cenário fiscal, o setor público consolidado registrou um superávit de R$ 3,6 bilhões no mês, acumulando em 12 meses um déficit de R$ -13,5 bilhões (-0,11% do PIB). Nas contas externas, o déficit nas transações correntes recuou para US$ -2,2 bilhões em março, beneficiando-se do início do escoamento da safra. Porém, o saldo negativo de US$ -68,5 bilhões em 12 meses (3,21% do PIB) superando a entrada de US$ 68,2 bilhões no período do Investimento Direto no País (IDP) é um ponto relevante para monitoramento.

Na semana, a perspectiva favorável para as negociações entre os EUA e a China propiciou uma posição mais favorável para a tomada de risco. As bolsas de Nova York voltaram a operar próximo dos níveis anteriores ao anúncio dos aumentos nas tarifas. Já o real apresentou uma performance melhor em comparação com a média de seus pares, apreciando-se em 0,47% na semana, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,66.

Impactaram ainda os negócios as informações ambíguas sobre a atividade dos EUA, com uma contração do PIB no 1T25 e a surpresa nos números do payroll em abril. Neste cenário, o Federal Reserve (Fed) deverá manter as taxas de juros inalteradas na faixa de 4,25% a.a. e 4,50% a.a. na reunião desta semana, crescendo as apostas de que a flexibilização só seja iniciada em julho.

Para a semana que se adentra, além das decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, as atenções também recaem para os números da produção industrial, balança comercial, produção e emplacamento de veículos, IGP-DI e IPCA. No front externo, serão divulgados o PMI de serviços dos EUA, China e Zona do Euro, além das vendas no varejo na Zona do Euro, crédito ao consumidor dos EUA e a inflação ao produtor e consumidor e a balança comercial da China.

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