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Como os bancos podem medir alta performance de suas equipes?

No fim de 2024, Luciana Tieri, psicóloga e especialista em Recursos Humanos com mais de 30 anos dedicados ao setor financeiro, apresentou na ABBC o tema “Como os bancos podem avaliar seus times para aferir alta performance?” em uma palestra que instigou reflexões sobre a eficácia das equipes organizacionais. A especialista trouxe à Comissão de RH da ABBC dados, estudos e uma abordagem prática para discutir como a performance coletiva pode ser potencializada por meio da segurança psicológica e de métricas mais robustas.

Luciana iniciou sua apresentação com uma inquietação fundamental no cenário corporativo atual: enquanto as métricas para avaliar o desempenho individual e organizacional evoluíram significativamente nos últimos anos, o mesmo não pode ser dito sobre as ferramentas para mensurar a dinâmica e o potencial dos times. “Atuamos muito com o indivíduo e com a organização, mas não temos indicadores maduros para entender a performance das equipes e como elas impactam os resultados da empresa”, afirmou.

Esse vácuo, segundo ela, representa uma oportunidade estratégica para os bancos. Dados da Harvard Business Review indicam que 91% dos profissionais acreditam que o sucesso organizacional está nos times, mas menos de 10% das equipes se consideram de alta performance, conforme estudo da Deloitte de 2018.

Luciana Tieri apresenta estudos de mercado sobre performance de times corporativos para os membros da Comissão de RH

Tipos de times e suas dinâmicas

Luciana apresentou uma classificação de três tipos principais de times nas organizações:

  1. Times de coordenação: compostos por áreas como vendas, onde cada membro tem responsabilidades independentes e contribui de forma segmentada para o objetivo geral.
  2. Times de cooperação: possuem metas comuns, mas as tarefas são fatiadas, exigindo a contribuição de cada indivíduo para o avanço coletivo.
  3. Times colaborativos: caracterizados pela interdependência e cocriação, esses grupos têm uma visão compartilhada e são os mais propensos a alcançar alta performance.

“Os times colaborativos geram algo novo, alteram o resultado. São nesses grupos que devemos investir para desafios que demandam inovação e transformação”, ressaltou Luciana.

O impacto do tamanho e das relações nas equipes

Outro ponto explorado foi o impacto do tamanho das equipes na funcionalidade e na performance. Luciana explicou que times pequenos demais tendem a ser disfuncionais devido à baixa diversidade e influência limitada. Já equipes muito grandes sofrem com dispersão de objetivos, formação de subgrupos e perda de autorresponsabilidade.

Para times colaborativos, a faixa ideal, segundo estudos clássicos como o do engenheiro e estudioso francês Maximilien Ringelmann, é entre 5 a 9 membros. Esse número permite conexões mais eficazes e relações de trabalho mais coesas.

Elementos de um time de alta performance

A palestrante apontou características essenciais de times de alta performance, como um forte senso de responsabilidade, formas eficientes de resolver conflitos, elevados níveis de colaboração e resultados, além de confiança mútua. Além disso, Luciana destacou dois eixos fundamentais para essas equipes:

  • Resultados e metas: o foco em entregas claras e mensuráveis.
  • Positividade: uma dinâmica de trabalho fluida e atmosférica que transcende o ambiente físico ou o propósito individual.

Durante a palestra, Luciana destacou uma pesquisa realizada pelo Google, que buscou identificar os fatores que definem times de alta performance.

A pesquisa levou o nome de projeto Aristóteles, um tributo à frase do filósofo: “o todo é maior do que a soma de suas partes”. Foram analisados 180 times de engenharia e de vendas, com uma mistura de indicadores de alta e de baixa performance.

Como resultado, foram identificados dois resultados principais: primeiramente o Google chegou a conclusão que os padrões não aferiram que a uma alta qualidade dos membros era o fator principal, mas o “como”, ou seja, a qualidade das interações estabelecidas internamente na equipe. Além disso, havia 5 padrões nos times de alta performance detectados: confiabilidade, estrutura e clareza, significado do trabalho e impacto do trabalho e segurança psicológica (veja descritivo de cada pilar na imagem abaixo). Esses elementos, quando alinhados, criavam um ambiente propício para que equipes atinjam seu máximo potencial.

Além disso, Luciana também citou os estudos da Dra. Amy Edmondson, especialista em comportamento organizacional, que reforçam a importância do pilar segurança psicológica como base para a colaboração efetiva e inovação dentro das organizações. Esse conceito se refere à capacidade de indivíduos se sentirem seguros para expressar ideias, levantar questões ou cometer erros, sem medo de julgamento ou retaliação.

Essas pesquisas enfatizam que o sucesso de um time não se baseia apenas em competências técnicas, mas também na criação de um ambiente de confiança e propósito, onde cada membro entende seu papel e o impacto de suas contribuições.

Encerrando sua apresentação, Luciana Tieri instigou os profissionais de RH presentes a repensarem suas práticas. “Precisamos equilibrar nossas ações, olhando para as equipes com a mesma intensidade que olhamos para indivíduos e organizações. Invistam nos times. Criem ambientes seguros onde as pessoas possam se expressar, colaborar e aprender em grupo. A segurança psicológica é o coração das organizações e o caminho para uma cultura que enfrenta desafios e promove a inovação”, concluiu.

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