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Disciplina de mercado?

A semana foi marcada pela disciplina de mercado que, após a taxa de juros implícita do T-Bonds de 30 anos superar momentaneamente a taxa de 5,0% a.a., possivelmente impôs uma trégua nas disputas das tarifas comerciais.

Ainda sem impacto das tensões, a inflação corrente nos EUA em março surpreendeu positivamente os analistas de mercado. Contudo, as expectativas de inflação dos consumidores para a inflação aumentaram. Paralelamente, o recrudescimento das incertezas já sensibiliza os indicadores de sentimento, de modo que os receios de uma recessão fizeram a confiança dos consumidores reduzir-se fortemente.

Nesse contexto, os índices acionários nos EUA encerraram a semana em alta, sustentados pela suspensão temporária das novas tarifas de importação para outras regiões, com a exceção da China.

Mesmo diante da elevação dos yields, o dólar recuou frente às moedas desenvolvidas e emergentes. Contudo, o real depreciou-se em 0,42%, encerrando a semana em R$/US$ 5,87, após atingir R$/US$ 6,01 em 08/04.

No ambiente doméstico, o aumento do IPCA reduziu de 1,31% em fev/25 para 0,56%, em linha com o consenso de mercado. Contudo, a taxa acumulada em 12 meses (12m) acelerou de 5,06% a.a. para 5,48% a.a.. Reiterando os desafios para a convergência da inflação, os dados qualitativos continuam desfavoráveis. No Boletim Focus, a inflação suavizada esperada para os próximos 12m desacelerou pela 9ª edição consecutiva, dando sinais de acomodação nas expectativas, ainda que sigam desancoradas.

Ainda no Focus, a taxa Selic projetada para o fim de 2025 foi mantida em 15,00% a.a., com início do ciclo de afrouxamento monetário previsto apenas para a 1ª reunião de 2026. Acompanhando o movimento no exterior, os juros futuros subiram, de modo que a taxa real de juros ex-ante de 1 ano elevou-se 0,13 p.p. na semana para 9,26% a.a.. No mercado de renda variável, o Ibovespa registrou uma valorização de 0,34% no período.

Os indicadores de atividade econômica apresentaram resultados mistos. Impulsionado pelo desempenho da agropecuária, o IBC-Br avançou 0,44% em fevereiro, superando as expectativas de mercado. No mesmo mês, o volume de serviços cresceu 0,80% na margem, já o varejo restrito acelerou seu ritmo de alta de 0,23% para 0,47%, enquanto o ampliado recuou de 2,74% para -0,36%. A produção e venda de veículos indicaram um aquecimento moderado no setor. Por outro lado, a confiança do empresário industrial recuou, refletindo aumento do pessimismo. O sentimento de Endividamento e Inadimplência do Consumidor apontou uma leve alta no percentual de famílias endividadas, embora com sinais positivos na percepção quanto à capacidade de pagamento. Para esta semana, os destaques domésticos incluem a divulgação do Monitor do PIB da FGV e do IGP-10. No cenário externo, o foco estará nos dados do PIB, da produção industrial e das vendas no varejo da China, além da reunião de política monetária, inflação ao consumidor e produção industrial na Zona do Euro e dos indicadores de atividade econômica nos EUA, como varejo, indústria e novas construções.

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