Entendendo a estratégia como compatível com a convergência da inflação para o redor da meta, o Comitê de Política Monetária (Copom) cumpriu a sinalização de elevar a Meta Selic em 1,00 p.p., para 14,25% a.a.. Adicionalmente, assinalando as defasagens inerentes ao ciclo de aperto monetário em curso, indicou um ajuste de menor magnitude na reunião de maio, caso confirmado o cenário esperado. Neste sentido, o entendimento é de que o aperto monetário esteja próximo do seu final.
Em relação ao encontro de jan/25, o Copom destacou os sinais de uma incipiente moderação no crescimento. Com o cenário de referência contemplando a apreciação do real de R$/US$ 6,00 para R$/US$ 5,80 e a queda do preço de petróleo, a projeção de inflação no cenário de referência para 2025 diminuiu de 5,2% para 5,1% e para o 3T26, o atual horizonte relevante de política monetária, reduziu-se ligeiramente de 4,0% para 3,9%.
Paralelamente à apreciação cambial, a desancoragem das expectativas inflacionárias exibe alguns sinais de acomodação no Boletim Focus. A mediana da inflação pelo IPCA em 2025 recuou de 5,66% para 5,65% e a projeção da inflação suavizada para os próximos 12 meses reduziu-se pela 6ª edição consecutiva, caindo na semana de 5,24% para 5,19%.
Em linha com a sinalização do Copom de uma elevação na Selic de menor magnitude na reunião de maio e as projeções do Focus, o mercado de opções da B3, em 21/03, apontava 69,0% de chance de uma alta de 0,50 p.p. no próximo encontro. Com a elevação nos prêmios na curva futura de juros, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano subiu 0,25 p.p. para 9,33% a.a., patamar fortemente contracionista, quando comparado com à taxa neutra estimada pelo Banco Central (BC) de 5,00% a.a.. Apesar da elevação da Selic, o Tesouro Nacional (TN) continuou aproveitando o bom momento para as emissões, com destaque para a emissão recorde de títulos prefixados.
A conjugação do ciclo de aperto monetário com a desaceleração no ritmo de crescimento da atividade econômica tem afetado a percepção dos agentes. As famílias indicam uma menor propensão a consumir e o sentimento dos empresários aponta pessimismo. Entretanto, as projeções para o crescimento do PIB no Focus não mostraram alterações significativas, apontando elevações de 1,98% para 2025 e de 1,60% para 2026.
Favorecido em maior parte pelo cenário externo, a taxa de câmbio tem também se beneficiado do maior diferencial das taxas de juros. Na contramão de seus pares emergentes, cujo índice que mede sua variação frente ao dólar exibiu uma queda de -0,23%, o real apreciou-se em 0,25% na semana, com o dólar sendo cotado a R$ 5,73.
No lado externo, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa dos Fed Funds entre 4,25% a.a. e 4,50% a.a., porém indicando 2 cortes de 0,25 p.p. em 2025. Pregando cautela em relação à incerteza do cenário, principalmente com os desdobramentos da política econômica nos EUA, apresentou um aumento das projeções de inflação e uma diminuição para o crescimento do PIB.
Para esta semana, o destaque maior fica para o detalhamento da ata do Copom. Adicionalmente, os dados do mercado de trabalho, IPCA-15, setor externo, resultado primário e do IGP-M podem também ajudar na interpretação do balanço de riscos da inflação. No cenário externo, a atenção estará voltada para o PIB, o Índice de Preços para Gastos de Consumo (PCE), os estoques no atacado, a confiança do consumidor e o índice de compra dos gerentes (PMI) nos EUA, e PMI e confiança do consumidor na Zona do Euro.


