Com o balanço de riscos apontando uma desancoragem adicional das expectativas, a elevação das projeções de inflação, uma surpresa com o dinamismo da atividade e pressões no mercado de trabalho, o Copom diagnosticou na reunião de janeiro a necessidade de uma política monetária mais contracionista. Ao mesmo tempo sinalizou, caso se confirmasse o cenário esperado, seria necessário mais um aumento da mesma magnitude na reunião de março.
Dada a elevada incerteza no ambiente interno e externo, e com a evolução dos indicadores econômicos compatível com o cenário de referência da última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cumprir a sinalização e elevar a taxa Selic em 1,00 p.p. para 14,25% a.a., decisão que seria condizente com a convergência da inflação para o redor da meta e a ancoragem das expectativas. A dúvida que fica em aberto, refere-se à manutenção ou não de um forward guidance para o encontro de maio.
Com a dissipação do impacto do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica, o IPCA voltou a acelerar em fevereiro, saindo de 0,16% em jan/25 para 1,31% e de uma alta de 4,56% a.a. para uma de 5,06% a.a., bem acima do teto da meta. Em consonância, a maioria dos indicadores qualitativos continuou exibindo uma evolução desfavorável e, principalmente, incompatível com a convergência da inflação à meta.
Como alento, a projeção da inflação pelo IPCA em 2025 no Boletim Focus diminuiu de 5,68% em 07/03 para 5,66% em 14/03. Ademais, recuando pela 5ª edição consecutiva do Boletim Focus, a inflação suavizada estimada para os próximos 12 meses saiu de 5,30% para 5,23% (5,77% há 4 semanas). Por outro lado, no horizonte relevante para a política monetária, a projeção para o índice acumulado em 12 meses no final do 3T26 subiu de 4,50% para 4,51%. O movimento de acomodação nas expectativas tende a ficar mais claro, caso seja ratificada a desaceleração da atividade maior do que a antecipada e a recente apreciação cambial.
Com o avanço de 0,08 p.p. na semana, a taxa real de juros ex-ante ficou em 9,08% a.a., mantendo-se em nível fortemente contracionista quando comparado à taxa neutra de 5,00% estimada pelo Banco Central (BC). Em linha com a sinalização do Copom, o mercado de opções da B3 atribuía, em 14/03, 94,6% de probabilidade de uma elevação de 1,0 p.p. da Selic nessa semana. Para maio, as apostas para uma elevação de 0,50 p.p., conforme o Boletim Focus, diminuíram de 56,5% para 54,0%.
Impulsionado pelo setor agrícola, o índice de atividade econômica do BC (IBC-Br) surpreendeu, subindo 0,89% em janeiro, na série dessazonalizada. Todavia, continuou indicando para o arrefecimento do ritmo de avanço da atividade, evidenciado, nas reduções de -0,24% dos serviços, de -0,08% no varejo restrito e a relativa estabilidade na indústria em jan/25. A variação trimestral do IBC-Br desacelerou de uma alta de 0,39% em dez/24 para 0,26% em jan/25, deixando um carregamento estatístico de 0,56% para o 1T25.
No cenário fiscal, o déficit primário acumulado em 12 meses somou R$ -45,60 bilhões em janeiro, representando 0,38% do PIB. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) recuou de 61,17% em dez/24 para 60,80% em janeiro e a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) saiu de 76,11% para 75,28%.
Na semana que se adentra, a atenção estará voltada para as mensagens emitidas pelo Copom. Adicionalmente, além de manter a taxa básica de juros estável na faixa entre 4,25% a.a. e 4,50% a.a., o Federal Reserve (Fed) deverá atualizar as projeções das variáveis macroeconômicas. Dentre os indicadores, localmente será divulgado o IGP-10 de março. No exterior, o foco estará voltado para a produção industrial, vendas no varejo e números do setor imobiliário nos EUA, além da produção industrial e vendas no varejo na China e inflação ao consumidor e confiança do consumidor na Zona do Euro.


