Os recentes indicadores de alta frequência reforçam a leitura de perda de dinamismo da economia no final de 2024, sugerindo um PIB mais fraco no último trimestre. Após as elevações de 1,4% no 2T24 e de 0,8% no 3T24, o Monitor do PIB-FGV mostrou uma alta de 0,4% no último trimestre de 2024. Diante da conjugação de uma política monetária bastante restritiva com um ambiente externo incerto, a expectativa é de que se tenha um ritmo de atividade mais modesto em 2025, de modo que no Boletim Focus, a projeção de expansão é de 2,01% para 2025 e de 1,70% para 2026.
Com os analistas lendo a recente apreciação cambial como temporária e demandando um desaquecimento da atividade mais contundente do que o indicado no Focus, a ampliação da desancoragem das expectativas inflacionárias persistiu na semana. No horizonte relevante para a política monetária, a mediana das estimativas para o IPCA acumulado em 12 meses ao final do 3T26 subiu de 4,50% para 4,52%. Contudo, de forma positiva, reduzindo-se pela 2ª vez consecutiva, a mediana das previsões para a inflação suavizada para os próximos 12 meses diminuiu de 5,77% para 5,64%.
Impulsionado pela elevação nos preços de algumas commodities e a concentração de reajustes em serviços e preços, o IGP-10 acelerou de 0,53% em jan/25 para 0,87% em fevereiro, fazendo com que a taxa anualizada saltasse de 6,73% a.a. para 8,35% a.a.. Entretanto, o aumento do IPC do índice reduziu de 3,90% a.a. para 3,72% a.a..
Objetivando promover a liquidez na curva de juros soberano em dólar, dando referência ao setor corporativo e ampliando a base de investidores, o Tesouro captou US$ 2,5 bilhões no mercado externo em títulos soberanos de 10 anos. Com uma demanda maior do que a esperada, a taxa de retorno do título foi de 6,75% a.a., patamar também abaixo dos 7,05% a.a. previstos. Com sucesso semelhante, realizou vendas expressivas de títulos de dívida doméstica, sinalizando que está disposto a aproveitar os momentos de maior calmaria no mercado.
Com a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) reforçando a leitura de um processo cauteloso da política monetária, o monitoramento do FedWatch precificava 47,4% de chance de mais um corte de -0,25 p.p. apenas na reunião de junho. Para o encerramento do ano, as chances eram de: 28,3% de 1 redução de -0,25 p.p.; 33,2% de 2 cortes de -0,25 p.p.; e 20,4% de 3 cortes de -0,25 p.p..
Para os próximos dias, as atenções voltam-se para o IPCA-15 de fevereiro, que deve mostrar uma alta expressiva no mês, impulsionada pela reversão integral dos efeitos do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica, os aumentos dos combustíveis e os reajustes nas mensalidades escolares e de tarifas de transporte público. Com isso, a taxa anualizada estaria bem acima do teto da meta, mantendo dessa forma a preocupação com a dinâmica dos preços.
Ainda, serão divulgadas as informações do mercado de trabalho (Pnad e Caged), IGP-M, Setor Externo e as sondagens da FGV. No mercado internacional, destaques para o deflator de gastos de consumo pessoal (PCE), renda e gastos pessoais, PIB do 4T24 e confiança do consumidor dos EUA, além da confiança do consumidor na Zona do Euro e o PMI manufatura e serviços na China.


