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ABBC: fintechs entram em nova fase, com mais cobrança sobre parceiros e segurança no BaaS

Eduarda Davidovic (Febraban), Regina Pedroso (ABToken), Sergio Costantini (ABFintechs), Bruno Diniz (Spiralem Innovation Consulting), e Euricion Murari (ABBC) participaram do painel “O amadurecimento do ecossistema fintech: novos padrões de compliance, governança e autorregulação” (foto: Divulgação/Febraban Tech)

O mercado de fintechs está entrando em uma fase menos preocupada com crescimento a qualquer custo e mais focada em segurança, controles e sustentabilidade do negócio. Essa foi uma das conclusões apresentadas por Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), durante o painel “O amadurecimento do ecossistema fintech: novos padrões de compliance, governança e autorregulação”, na Febraban Tech, nesta terça-feira (25).

Segundo Murari, o mercado passou por um período de expansão rápida, com o surgimento de novos modelos de negócio e empresas. Agora, a preocupação é fazer essas operações funcionarem de forma consistente e com controles compatíveis com o tamanho dos riscos.

O painel reuniu representantes do setor financeiro para discutir o amadurecimento das fintechs e os novos padrões de compliance, governança e autorregulação (foto: Divulgação/Febraban Tech)

“Estamos passando por um momento em que a gente sai da corrida do ouro e vai para uma visão mais sustentável”, afirmou.

O executivo também destacou a atuação dos bancos associados à ABBC na relação com fintechs. “Os associados da ABBC são um verdadeiro laboratório para as fintechs”, disse.

No BaaS, terceirizar não significa transferir a responsabilidade

Um dos principais pontos da discussão foi o crescimento do Banking as a Service (BaaS), modelo em que uma instituição financeira fornece a infraestrutura bancária para que outras empresas ofereçam serviços como contas, pagamentos e cartões.

Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, destacou a importância de reforçar a governança, os controles e a segurança nas relações com parceiros de BaaS (foto: Divulgação/Febraban Tech)

O modelo permite que uma empresa entre no mercado financeiro sem precisar construir toda essa estrutura do zero. O problema é que, quanto mais serviços são terceirizados, maior é a necessidade de acompanhar de perto quem presta esses serviços.

Para Murari, esse é um dos principais desafios para bancos e instituições que operam nesse mercado: saber exatamente quais empresas estão na cadeia, quais atividades executam e quais controles adotam.

“O risco está compartilhado, diluído; a responsabilidade perante o regulador, não”, afirmou.

Na prática, isso significa que uma instituição financeira não deixa de ser responsável perante o Banco Central porque determinada atividade foi executada por um parceiro ou por um Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI).

Por isso, a contratação de terceiros precisa vir acompanhada de mecanismos de acompanhamento, controles de segurança, gestão de acessos, monitoramento e planos para responder a incidentes.

Murari resumiu o problema com uma comparação: “Não se pode colocar uma porta com milhares de travas e, do outro lado, ter uma porta só encostada e sem chave nenhuma.”

A preocupação ganha importância à medida que bancos e fintechs dependem de uma cadeia cada vez maior de fornecedores de tecnologia. Um problema em um desses fornecedores pode afetar diretamente o serviço oferecido ao cliente, mesmo que a instituição financeira não tenha desenvolvido aquela tecnologia.

Segurança deixa de ser apenas um problema de TI

Outro ponto levantado no painel foi a mudança na forma como as instituições financeiras encaram sua infraestrutura tecnológica.

Para Murari, não basta conhecer e acompanhar o cliente. É preciso também conhecer e acompanhar os parceiros que sustentam a operação — principalmente aqueles que têm acesso a sistemas, dados ou processos críticos.

Essa mudança aumenta a importância de temas como gestão de terceiros, cibersegurança e continuidade dos serviços. São controles que, na prática, ajudam a evitar que uma falha em uma empresa contratada se transforme em um problema para o banco e para seus clientes.

Autorregulação busca criar uma rede de confiança

A discussão também passou pela autorregulação do setor financeiro. Para Murari, o objetivo não deve ser simplesmente criar mais regras, mas estabelecer padrões que sejam conhecidos e aplicados pelas empresas que participam do mercado.

“Autorregulação é muito menos sobre criar regras e mais sobre chegar a uma cadeia de confiança. As associações acabam fazendo muito esse papel”, afirmou.

Nesse modelo, entidades representativas podem aproximar bancos, fintechs e outros participantes do mercado para discutir problemas comuns e estabelecer referências de boas práticas. A ideia é complementar a regulação oficial e ajudar o setor a lidar com questões que surgem com a evolução dos modelos de negócio.

Participaram do painel “O amadurecimento do ecossistema fintech: novos padrões de compliance, governança e autorregulação” Eduarda Davidovic (Febraban), Regina Pedroso (ABToken), Sergio Costantini (ABFintechs) e Bruno Diniz (Spiralem Innovation Consulting), além de Euricion Murari, da ABBC.

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