
Em evento de celebração dos 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos, presidente do Banco Central destaca importância do mecanismo para a estabilidade financeira e reforça a necessidade de evitar arbitragem regulatória.
Durante a abertura das comemorações dos 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), realizada nesta quinta-feira (13), em São Paulo, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, destacou a relevância do fundo para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e chamou atenção para a importância de preservar a adequada utilização das garantias oferecidas pelo mecanismo.
Em sua fala, Galípolo ressaltou que os bancos são instituições inerentemente sujeitas a riscos, por atuarem na transformação de prazos e na gestão do crédito. Segundo o presidente do Banco Central, o FGC desempenha papel essencial na mitigação do risco de corridas bancárias e na proteção dos depositantes, contribuindo para ampliar, em instituições médias e pequenas, a percepção de segurança associada ao sistema financeiro.

Galípolo também chamou atenção para modelos de negócio que, segundo ele, podem ampliar riscos ao combinar a captação pulverizada de recursos do varejo, protegida pelo FGC, com a aplicação dos recursos em ativos de maior risco ou prazo. Para o presidente do BC, a adequada gestão do equilíbrio entre ativos e passivos é fundamental para a sustentabilidade das instituições financeiras.
“Se você concebe um banco da sua origem com um descasamento (mismatch) entre o seu passivo e ativo, a chance de dar certo é próxima de nenhuma”, alertou.
Ele ressaltou que situações dessa natureza podem gerar assimetrias no mercado e demandam atenção da regulação.

O presidente do BC reafirmou ainda que a autoridade monetária e o FGC têm trabalhado em conjunto com as associações do setor em uma agenda contínua de aperfeiçoamento das regras, com o objetivo de reduzir brechas de arbitragem regulatória e contribuir para a sustentabilidade do sistema financeiro. Entre as medidas recentes voltadas a esse aprimoramento, destacam-se:
- a redução de 75% para 60% nas captações de referência com dependência de garantias;
- o aumento do multiplicador da contribuição adicional, de 0,01 para 0,02; e
- a exigência de alocação em títulos públicos vinculados ao ativo de referência.
Logo após a fala do presidente do Banco Central, um painel institucional comemorativo dos 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) reuniu as principais entidades do setor financeiro para debater a evolução e os próximos passos da rede de proteção do país. O debate destacou o amadurecimento das instituições frente a episódios recentes de estresse e as exigências impostas pelas transformações do mercado.
Leia mais sobre este painel que contou com a presença da ABBC, Febraban, Zetta e Acrefi.



