Em painel comemorativo dos 30 anos do FGC, representantes da ABBC, Acrefi, Febraban e Zetta analisam a resposta do sistema a crises recentes, a disciplina de mercado e o alinhamento regulatório.

O painel institucional comemorativo dos 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), realizado nesta quinta-feira (13), reuniu as principais entidades do setor financeiro para debater a evolução e os próximos passos da rede de proteção do país. O debate destacou o amadurecimento das instituições frente a episódios recentes de estresse e as exigências impostas pelas transformações do mercado.
Representando a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o presidente do Conselho de Administração, Cassio von Gal, abriu as apresentações trazendo um panorama histórico dos 30 anos do FGC e seu principais marcos, enfatizando que a credibilidade é o ativo mais valioso e vulnerável do setor financeiro. Em sua exposição, destacou quatro pontos centrais:
- Papel além do seguro-depósito: relembrou que o FGC atua decisivamente na assistência de liquidez — a exemplo da criação do DPGE na crise de 2008 e no período da Covid-19 —, atuando como instrumento fundamental para a estabilidade das instituições de menor porte.
- Prova de maturidade no caso Banco Master: citou que a atuação recente no ressarcimento rápido e previsível de correntistas do Banco Master demonstrou a eficiência do modelo, impedindo pânico sistêmico ou corrida bancária.
- Democratização dos investimentos: apontou que a ampliação gradual da garantia ordinária ao longo das décadas fortaleceu a confiança da população e democratizou o acesso a produtos de renda fixa.
- Aperfeiçoamento contínuo: reforçou que a principal lição das últimas três décadas é a necessidade de constante atualização do regramento para acompanhar as dinâmicas do mercado.

Na sequência, Tadeu Silva, presidente da Acrefi, destacou a relevância do FGC para a democratização da proteção financeira, lembrando que 99,6% das contas elegíveis estão cobertas. Enfatizou também que o fundo é condição essencial para a competitividade de pequenas e médias instituições (S3 a S5) e defendeu que a regulação continue focando na qualidade dos ativos e no correto casamento entre prazos.

Rubens Sardenberg, diretor da Febraban, ressaltou a resiliência demonstrada pelo sistema financeiro em liquidações recentes, que transcorreram sem afetar a estabilidade geral. Defendeu, ainda, o avanço na tramitação do Projeto de Lei nº 281 (Marco de Resolução Bancária) para conferir maior segurança jurídica aos reguladores e ao mercado.
Encerrando as intervenções, Eduardo Lopes, presidente da Zetta, ressaltou que a diversidade de atores (fintechs, bancos digitais e tradicionais) impulsionou a inclusão financeira no Brasil. Por fim, frisou a importância da responsabilidade compartilhada entre emissores, distribuidores e investidores, apontando a transparência e a avaliação criteriosa da qualidade dos ativos como pilares para o futuro do setor.
Na abertura do evento de 30 anos do FGC, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou a relevância do fundo para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e chamou atenção para a importância de preservar a adequada utilização das garantias oferecidas pelo mecanismo.
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