Estudo encomendado por ABBC e Zetta indica que 70% da população que conhece a modalidade considera que as novas medidas são prejudiciais ao trabalhador brasileiro

Pesquisa encomendada pela ABBC – Associação Brasileira de Bancos e pela Zetta, associação que representa as maiores fintechs do país, conduzida pela AtlasIntel, mostra que a antecipação do saque-aniversário do FGTS representa um auxílio financeiro acessível, com a menor taxa do mercado, para quem precisa de liquidez no curto prazo. Nove em cada dez brasileiros que já utilizaram a modalidade são contrários ao fim da antecipação, e 70% da população que conhece a modalidade considera como prejudiciais aos trabalhadores as medidas implementadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – CCFGTS, em outubro de 2025.
As medidas aprovadas limitam significativamente o uso da modalidade pela população brasileira, por meio da imposição de limite máximo de parcelas anuais que podem ser antecipadas (inicialmente cinco, com redução para três a partir de novembro de 2026) e de operações por trabalhador (apenas uma), valores mínimos e máximos por parcela (R$100,00 e R$500,00 respectivamente) e carência (90 dias) para a contratação após a opção pelo saque-aniversário.
Para Eduardo Lopes, presidente da Zetta, “a antecipação do saque-aniversário cumpre um papel essencial na vida financeira dos brasileiros, especialmente em situações urgentes, e as restrições implementadas são vistas como medidas que prejudicam os trabalhadores ao limitar o acesso a uma alternativa importante de crédito”.
O estudo, realizado em novembro de 2025, com mais de 4.200 respondentes, via recrutamento digital aleatório, revela que a maioria dos cadastrados no saque-aniversário utiliza os recursos para necessidades básicas e emergenciais. Entre os que antecipam, destacam-se as finalidades de pagamento de dívidas urgentes (70%), despesas médicas e de saúde (28,1%) e compra de alimentos e itens essenciais (7,1%). Ao contrário do que foi utilizado como argumentação para as mudanças regulatórias, a pesquisa mostra que nenhum dos entrevistados indicou utilizar o dinheiro da antecipação para apostas online (bets).
“Os dados indicam que as restrições adotadas pelo Conselho Curador do FGTS não refletem a realidade financeira de parcela relevante da população brasileira. A limitação ao acesso à antecipação reduz a disponibilidade de uma das modalidades de crédito com menor custo, levando o trabalhador a alternativas com taxas de juros significativamente mais elevadas. A ABBC defende que a autonomia do cidadão sobre a utilização de seus próprios recursos deve ser preservada, levando-se em consideração que as principais destinações são necessidades essenciais, como despesas com saúde ou a regularização de obrigações financeiras urgentes”, destaca o diretor de Crédito Consignado da ABBC, Alex Gonçalves.
A pesquisa ainda revela que cerca de 80% dos usuários da modalidade de crédito entendem que a limitação a uma única operação por trabalhador compromete o planejamento financeiro, enquanto outros cerca de 80% consideram negativos os valores mínimos e máximos por parcela, avaliando que essas definições não contribuem para evitar o uso dos recursos por motivos desnecessários.
O elevado nível de conhecimento e a percepção amplamente positiva da população a respeito do saque-aniversário refletem a importância do livre acesso aos recursos do FGTS para a vida financeira das famílias, que o utilizam para arcar com despesas essenciais, como quitação de dívidas e gastos com saúde. “Nesse contexto, faz sentido que as medidas que restringem a antecipação do saque, vista como uma modalidade de crédito vantajosa pela maioria dos beneficiados, preocupem a população”, finaliza Andrei Roman, CEO da Atlasintel.
Outros destaques da pesquisa são:
- a modalidade de crédito é amplamente utilizada (sete em cada dez optam pelo saque-aniversário), indicando ampla disseminação e entendimento público sobre essa alternativa de acesso aos recursos;
- o saque antecipado tem utilização moderada, visto que seis em cada dez afirmam ter utilizado o adiantamento de 1 a 4 vezes, no máximo;
- usos para finalidades menos essenciais, como cursos de capacitação (1,5%), melhorar condições de trabalho (0,9%) e apostas online (0%), são bem menos expressivos dentre os que antecipam.
- a exigência em aguardar ao menos 90 dias para contratar a antecipação é vista negativamente por não ajudar o controle do uso do saldo (cinco em cada dez brasileiros que já realizaram a antecipação), reforçando que as restrições reduzem a agilidade e o caráter emergencial da operação.
Confira a repercussão da pesquisa ABBC/Zetta/Atlas na imprensa.
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