Comissão ESG debate teste de estresse climático do Banco Central e o Programa de Aceleração da Transição Energética, destacando impactos regulatórios, riscos e oportunidades para os ativos das instituições financeiras

Diante da intensificação dos riscos climáticos no Brasil, as instituições financeiras precisam avançar no aprimoramento de políticas, processos e modelos voltados à avaliação da exposição ao Risco Socioambiental e Climático (RSAC) das suas contrapartes de crédito e títulos e valores mobiliários, de suas controladas, dos seus fornecedores e prestadores de serviços terceirizados relevantes e de seus ativos físicos. Diante deste cenário, a Comissão ESG da ABBC analisou as orientações mais recentes do Banco Central sobre o tema e alguns instrumentos de políticas públicas relacionados à transição energética propostos pelo Governo Federal.
Um dos temas discutidos foi o Teste de Estresse de Risco Climático Físico, apresentado no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central de novembro de 2025. O documento, em sua seção de Temas Selecionados, trouxe metodologia estruturada para testar de forma estressada a capacidade das instituições financeiras em suportar perdas de capital, em decorrência da deterioração da capacidade creditícia de suas contrapartes de crédito, considerando os efeitos da intensificação de eventos climáticos extremos — como o fenômeno El Niño — sobre a solvência das instituições financeiras e a qualidade de seus ativos. O exercício evidencia a necessidade de incorporar variáveis climáticas de forma mais consistente nos modelos de risco, ampliando a abordagem tradicional centrada apenas em crédito e mercado.
Os membros da Comissão destacaram que o teste de estresse climático reforça a importância de uma visão prospectiva na gestão de ativos, ao demonstrar como choques originados de eventos climáticos físicos podem afetar cadeias produtivas, garantias, fluxos de caixa e, consequentemente, o perfil de risco das carteiras de crédito e bancárias. A apresentação deste tema no REF do BC evidencia que o regulador estará cada vez mais atento à essa necessidade nas operações dos bancos em 2026.
Outro ponto central do debate foi o Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN), que estabelece diretrizes e instrumentos para incentivar investimentos em sustentabilidade e energias limpas. O programa foi analisado sob a ótica de seus impactos regulatórios e estratégicos, bem como de seu potencial para impulsionar novos financiamentos, projetos sustentáveis e a diversificação dos portfólios das instituições financeiras.
Durante a discussão, vale correlacionar os resultados das estimativas de impacto do risco climático de transição ao sistema financeiro Nacional, apresentados no Relatório de Estabilidade Financeira de novembro/24 (Boxe – Metodologia para estimar o risco climático de transição) com o PATEN, sob uma perspectiva integrada de riscos e oportunidades. De um lado, os testes evidenciam a exposição dos setores de atividade econômicos prioritários do PATEN a eventos climáticos de transição à uma possível desvalorização dos ativos destas contrapartes sejam de crédito ou TVM decorrente desses eventos.
De outro, a agenda de transição energética cria espaço para novos negócios, desde que acompanhados de adequada avaliação de riscos e alinhamento às exigências regulatórias.


