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Febraban Sec: Open Finance avança no Brasil com novas etapas regulatórias e reforço na agenda de segurança

Banco Central detalha próximos passos do sistema, enquanto representantes do setor destacam desafios e oportunidades para instituições financeiras

Participantes do painel debatem os avanços e os desafios do Open Finance no Brasil: segurança e comunicação são pontos para aperfeiçoamento

O futuro do Open Finance no Brasil ganhou destaque no Febraban SEC, realizado nesta terça-feira (18), em São Paulo. Durante o painel “Open Finance e a Seguridade dos Dados Compartilhados”, especialistas apresentaram os próximos avanços regulatórios do sistema, além de discutirem seus impactos para consumidores e instituições financeiras.

A consultora do Banco Central, Janaina Attie, detalhou a agenda evolutiva do Open Finance, que seguirá de forma gradual e cautelosa. Entre os próximos marcos, está a conclusão da fase de portabilidade de crédito, seguida pela inclusão do consignado no ecossistema e, posteriormente, pela portabilidade de salário. Segundo ela, a entrada de novos produtos será conduzida com rigor técnico e atenção à segurança, respeitando a complexidade de cada operação.

O Banco Central também prepara uma atualização normativa do Open Finance, com previsão de publicação entre abril e maio. A proposta, já discutida no âmbito do Open Finance Brasil, busca ampliar a transparência sobre a natureza dos dados compartilhados e reforçar a padronização das comunicações entre as instituições — pontos considerados essenciais para o amadurecimento do sistema.

Na visão do setor, o Open Finance já se consolidou como um importante vetor de transformação. Para Ana Carla Abrão, diretora-presidente do Open Finance Brasil, o modelo deixou de ser apenas uma agenda regulatória e passou a ocupar papel estratégico nas instituições financeiras. Ela destacou benefícios como a ampliação da oferta de crédito, o aumento da principalidade dos clientes e o maior engajamento nos canais digitais.

Abrão também ressaltou que, embora a complexidade do sistema traga desafios — especialmente para instituições com estruturas mais enxutas —, há um esforço contínuo de apoio e disseminação de conhecimento para garantir a participação de todo o ecossistema. Segundo ela, consolidar e comunicar melhor os ganhos do Open Finance é um dos desafios atuais da agenda.

O CEO da ABBC, Leandro Vilain, reforçou que a evolução do Open Finance passa, necessariamente, pela confiança do consumidor. “Assim como qualquer produto no Sistema Financeiro Nacional, o Open Finance é baseado em confiança. Manter padrões elevados de segurança, com monitoramento constante e atualizações contínuas, é fundamental para sustentar esse crescimento”, afirmou.

Vilain também pontuou que a implementação do Open Finance ocorre em um contexto desafiador para muitas instituições, especialmente bancos de menor porte, que lidam com agendas regulatórias intensas e estruturas tecnológicas mais enxutas. Segundo ele, o tema deve ser encarado como uma oportunidade estratégica, ao mesmo tempo em que exige atenção à viabilidade operacional e à captura de valor dos investimentos realizados — uma agenda que a ABBC acompanha de perto em defesa de seus associados.

O CEO da ABBC, Leandro Vilain; Janaina Attie, consultora do Banco Central; e Ana Carla Abrão, diretora-presidente do Open Finance Brasil

Os avanços do Open Finance são acompanhados por um crescimento expressivo do sistema. Atualmente, o ecossistema já registra cerca de 40 bilhões de chamadas mensais, refletindo a crescente adesão dos consumidores e o uso cada vez mais intenso dos serviços baseados em compartilhamento de dados.

Esse cenário reforça a importância da segurança e da robustez da infraestrutura. De acordo com Janaina Attie, o Open Finance brasileiro foi construído sobre bases sólidas, com arquitetura tecnológica avançada, comunicação bilateral entre participantes e uma governança rigorosa, que inclui monitoramento contínuo, participação restrita a instituições reguladas e exigências normativas ao longo de toda a jornada.

O debate evidenciou que, à medida que o Open Finance avança, a combinação entre inovação, segurança e geração de valor será determinante para consolidar o modelo e ampliar seus benefícios para todo o sistema financeiro.

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