A Comissão de Auditoria da ABBC recebeu, em dezembro de 2024, Fábio Pimpão, presidente do Conselho de Administração do IIA Brasil, para apresentar as principais mudanças das Normas Globais de Auditoria Interna, que passarão a vigorar em 9 de janeiro de 2025. Pimpão abordou como essas alterações transformarão a prática de auditoria interna globalmente nos bancos.
O encontro destacou a governança do International Professional Practices Framework (IPPF), o processo de atualização das normas e os resultados de uma consulta pública que recebeu quase 20 mil contribuições de especialistas e empresas ao redor do mundo. As mudanças refletem demandas por simplificação, maior aplicabilidade a diferentes realidades organizacionais e adaptação aos riscos emergentes, como cibersegurança, inteligência artificial e gestão de terceiros.
Entre as novidades, destacam-se a atualização do manual de avaliação da qualidade e a criação de uma nova estrutura de competências para auditores internos. “Essas mudanças são essenciais para alinhar a governança das normas às expectativas de stakeholders, como alta administração e conselhos de administração”, ressaltou Pimpão.
O IIA Brasil, representado pelo palestrante, desempenha papel fundamental na disseminação dessas alterações no país, oferecendo guias, treinamentos e certificações que refletem melhores práticas internacionais. O instituto, com mais de 5 mil associados, também aponta avanços em equilíbrio de gênero na profissão, especialmente nas gerações mais jovens.
A apresentação de Pimpão detalhou os cinco pilares centrais que nortearam a revisão das normas:
1. Simplificação da estrutura: eliminação de duplicidades entre elementos do IPPF, como o Código de Ética e as Normas.
2. Adaptação a riscos emergentes: inclusão de orientações sobre cibersegurança e novas tecnologias.
3. Maior aplicabilidade: diretrizes adaptadas a diferentes contextos organizacionais, desde grandes corporações até pequenas equipes de auditoria interna.
4. Clareza na comunicação: reforço do papel da alta administração e do conselho nas novas normas.
5. Relevância estratégica: alinhamento às demandas do mercado global e local.
Pimpão destacou ainda a introdução de um glossário revisado, com termos atualizados, como a substituição de “serviços de consultoria” por “serviços de assessoria”, refletindo mudanças conceituais. Além disso, conceitos fundamentais como risco residual, causa raiz e tolerância ao risco foram incluídos, ampliando a aplicabilidade prática das normas.
Entre os principais domínios revisados, o Domínio 1 destaca o propósito da auditoria interna como função estratégica, unificando missão e propósito. No Domínio 2, a ética profissional foi reforçada com princípios como honestidade e ceticismo profissional, essenciais para enfrentar desafios organizacionais. Já o Domínio 3, focado em governança, introduziu “condições essenciais”, que definem responsabilidades de conselhos e alta administração.
Outras mudanças significativas incluem a redefinição do “mandato”, agora compreendido como a junção de autoridade, papel e responsabilidade, e a formalização das qualificações esperadas do chefe de auditoria interna, reconhecendo a diversidade de perfis necessários. A avaliação externa da qualidade foi fortalecida, exigindo maior formalidade e alinhamento a padrões globais.

Ao final do evento, Pimpão enfatizou a importância de que cada organização adote uma abordagem estratégica para implementar as novas normas, considerando seus recursos e estrutura. “O mais importante é que cada organização entenda seu momento e desenvolva um plano de implementação viável”, concluiu.
Veja mais:


