
A Comissão de Recursos Humanos da ABBC recebeu, em reunião extraordinária realizada em abril, o auditor fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Rodrigo Vaz, e a CEO da Bee Touch, Ana Carolina Peuker, para falar sobre as mudanças introduzidas pela nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01). As atualizações promovidas impactam diretamente o cotidiano das empresas, incluindo as instituições financeiras, ao reforçarem as exigências relativas ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Rodrigo Vieira Vaz, auditor com ampla experiência em fiscalização na área de Saúde e Segurança do Trabalho, formador institucional da ENIT e membro da bancada governamental nas revisões da NR-01 e da NR-09, explicou que a NR-01 atualizada estabelece a obrigatoriedade de adoção do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) para a gestão de riscos, exigindo identificação de perigos, avaliação de riscos, implementação de medidas de controle, monitoramento contínuo e ações de melhoria.
A principal novidade abordada foi a inclusão expressa dos fatores de riscos psicossociais no gerenciamento ocupacional, o que requer um olhar ainda mais amplo sobre o ambiente de trabalho. A partir de 27 de maio de 2025, com a vigência da Portaria MTE nº 1.419/2024, as empresas terão de integrar ao seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) avaliações específicas sobre aspectos como estresse, pressão por produtividade, assédio e outros fatores psicossociais.
Segundo Vaz, a implantação desse novo olhar exige etapas prévias bem defini-das, como o envolvimento das partes interessadas, a comunicação transparente com os trabalhadores e, sempre que necessário, o apoio de especialistas para avaliações específicas.
Durante sua participação, Ana Carolina Peuker destacou que, no setor financeiro, onde dados guiam decisões, medir riscos psicossociais com ferramentas digitais confiáveis é mais do que inovação — é estratégia de proteção de valor. “Integrar a saúde mental à agenda ESG, com métricas claras e rastreáveis, fortalece a governança, mitiga riscos operacionais e impulsiona o ROI de forma mensurável e sustentável”, afirmou.
Ela também ressaltou que a gestão de fatores psicossociais exige rigor técnico e aderência a padrões reconhecidos internacionalmente, como a ISO 45003. Segundo Ana Carolina, medir de forma precisa é uma forma concreta de proteger não apenas a saúde mental dos trabalhadores, mas também a governança e o capital humano das organizações.
Outro ponto central da apresentação foi a interação entre a nova NR-01 e outras normas, como a NR-07 (relativa ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO) e a NR-17 (Ergonomia). A nova redação estabelece que a identificação de riscos deve alimentar tanto o PGR quanto o planejamento do PCMSO, reforçando a necessidade de harmonização entre as práticas de saúde ocupacional e a gestão de riscos.
No caso da ergonomia, destacou-se a obrigatoriedade da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) para todas as atividades que demandem adaptações às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Caso sejam identificadas inadequações, será necessária a realização de uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), conforme os critérios estipulados na NR-17.
Vaz também enfatizou a necessidade de registro documental robusto, com inventário de riscos atualizado, plano de ação para mitigação e relatórios de acompanhamento. A documentação servirá tanto para orientar ações internas quanto para eventuais fiscalizações trabalhistas.
No setor financeiro, as mudanças da NR-01 têm impacto especial. “Mesmo sendo um setor tradicionalmente associado a riscos físicos menores, os fatores psicossociais — como metas agressivas, alta cobrança e longas jornadas — precisam ser mapeados e gerenciados adequadamente, sob pena de responsabilidade trabalhista”, alertou o auditor.
Durante a reunião, os participantes da Comissão de RH tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas práticas sobre a implementação dos novos requisitos, o que gerou debates relevantes sobre estratégias de adaptação dos programas internos de saúde e segurança do trabalho nas instituições financeiras.
O encontro reforçou o compromisso da ABBC em antecipar e apoiar a adequação de seus associados às novas normas regulamentadoras, promovendo ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e em conformidade com a legislação vigente.


