
Nos últimos anos, a sustentabilidade e o clima ganharam protagonismo no cenário corporativo global. A busca por informações financeiras confiáveis e comparáveis sobre esses temas tornou-se um desafio para empresas, investidores e reguladores. Até então, a divulgação dessas informações era fragmentada em diferentes relatórios e estruturada com base em múltiplos frameworks (como GRI, SASB e TCFD), dificultando a comparação e abrindo margem para a omissão de dados críticos.
Diante desse cenário, a IFRS Foundation criou o International Sustainability Standards Board (ISSB) em 2021, atendendo às demandas do Conselho de Estabilidade Financeira do G20, do G7 e da IOSCO. O objetivo era desenvolver normas que garantissem informações padronizadas, verificáveis e comparáveis sobre riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade. Como resultado, em junho de 2023, foram publicadas as IFRS S1 e S2, que passaram a orientar empresas na integração de fatores ESG às suas demonstrações financeiras.
No Brasil, a CVM já incorporou as diretrizes do ISSB por meio da Resolução 193, tornando o país o primeiro do mundo a adotar as normas IFRS S1 e S2. A partir de 2026, as demonstrações de sustentabilidade de empresas listadas deverão passar por auditoria externa, elevando o nível de rigor e confiabilidade das informações divulgadas ao mercado.
Para bancos e demais instituições financeiras de nível S1 e S2, foram emitidas, em novembro de 2024, as Resoluções CMN n° 5.185 e BCB n° 435, determinando a elaboração e divulgação do relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, adotando os pronunciamentos CBPS 01 e CBPS 02 (traduções das IFRS S1 e S2 para o Brasil), previstos para 01/01/2026 para S1 e S2, e 01/01/2028 para as demais instituições.
Em março, a Comissão de Riscos Socioambiental e Climático da ABBC promoveu uma palestra com a consultoria BIP para discutir a aplicação dessas novas normas no setor financeiro. Durante o encontro, foram detalhados os desafios e benefícios da adoção dos padrões IFRS S1 e S2 e sua relevância para a transparência e confiabilidade dos dados reportados ao mercado.
A IFRS S1 estabelece requisitos gerais para a divulgação de sustentabilidade, cobrindo aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG).
Já a IFRS S2 foca na divulgação dos impactos climáticos, exigindo que as empresas relatem riscos físicos (eventos climáticos extremos) e riscos de transição (mudanças regulatórias e de mercado). A norma também requer informações sobre emissões de gases de efeito estufa (GHG Protocol), modelos de resiliência climática e impactos financeiros. Sua estrutura baseia-se nos quatro pilares:
- Governança: transparência sobre processos de supervisão e controle dos riscos e oportunidades climáticas.
- Gestão de Riscos: identificação, avaliação e mitigação dos impactos financeiros de riscos ambientais e sociais.
- Estratégia: integração da sustentabilidade às decisões estratégicas e financeiras da empresa.
- Métricas e Metas: definição de indicadores concretos para monitoramento dos riscos ESG.
A BIP destacou que a implementação dessas normas demanda um modelo de governança estruturado e um compromisso das empresas com a integração da sustentabilidade ao planejamento estratégico. A adoção da IFRS S1 e S2 não só fortalece a transparência e credibilidade das instituições financeiras, mas também posiciona as empresas de forma mais competitiva frente às crescentes exigências de investidores e reguladores.
Diante desse novo cenário regulatório e de mercado, o setor financeiro precisa se preparar para a transição, estruturando processos robustos e integrando os riscos ESG às estratégias de longo prazo. A adoção das IFRS S1 e S2 representa não apenas uma exigência regulatória, mas uma oportunidade para empresas que buscam consolidar uma cultura organizacional alinhada à sustentabilidade e à governança transparente.


