A esperada desaceleração da atividade, por causa da taxa de juros em terreno contracionista, vem vindo de forma mais lenta do que os analistas de mercado esperavam. Neste sentido, os sinais de inflexão no mercado de crédito ainda são incipientes.
O impacto é mais sentido na oferta, com o aumento da taxa média das novas operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) superando a elevação de 3,75 p.p. da Selic ocorrida desde o início do ciclo do aperto monetário. Acumulando uma alta de 4,0 p.p. em relação a ago/24, o indicador subiu de 31,1% a.a. em mar/25 para 31,7% a.a. em abril.
No Crédito Ampliado ao Setor Não Financeiro (CASNF), os efeitos mais significativos foram notados nas modalidades do mercado de capitais, com o avanço do saldo de títulos privados reduzindo-se de 21,9% a.a. em ago/24 para 20,3% a.a. em abril e o dos securitizados de 37,4% a.a. para 25,9% a.a..
Por outro lado, é baixo o impacto no SFN, com a expansão do saldo das operações avançando 11,5% a.a. em abril (10,4% a.a. em ago/24), para pessoas jurídicas (PJ) com um crescimento de 10,2% a.a. (8,3% a.a. em ago/24) e para pessoas físicas (PF) de 12,4% a.a. (11,7% a.a. em ago/24). Mais sensível à política monetária, as linhas com recursos livres (RL) tinham um crescimento de 10,4% a.a. (9,5% a.a. em ago/24), com aumento de 7,6% a.a. para PJ (7,6% a.a. em ago/24) e de 12,5% a.a. para PF (10,8% a.a. em ago/24).
Porém, dadas as defasagens inerentes ao processo de aperto monetário, espera-se que os efeitos sejam aprofundados no médio prazo, sendo observadas reduções no ritmo de expansão das concessões acumuladas em 12 meses (12m) em algumas linhas, como por exemplo: capital de giro de 15,4% a.a. em dez/24 para 13,1% a.a. em abril; crédito não consignado de 32,3% a.a. para 28,3% a.a. no mesmo período; consignado de 16,1% a.a. para 7,5% a.a.; e financiamento de veículos para PF de 33,9% a.a. para 19,2% a.a..
Segundo o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), a implementação da Resolução CMN 4.966/2021 em 2025 levou a uma redução no volume de baixas para prejuízo, que produziu uma elevação na mensuração da inadimplência em relação aos números anteriormente calculados. Segundo o Banco Central (BC) nos antigos critérios contábeis, a leve tendência de queda teria permanecido. Como consequência, o indicador de inadimplência em abril subiu 0,3 p.p. na margem e 0,5 p.p. no ano para 3,5%.
Em um cenário em que as modalidades de crédito para PF de maior risco cresceram em ritmo superior ao das demais, são preocupantes os níveis e a trajetória do comprometimento de renda e o endividamento das famílias. Em março, o endividamento total alcançou 48,6%, com o comprometimento da renda em 27,2%, próximo do pico histórico de 27,8% em mai/23.
Com indícios ainda incipientes na moderação da atividade econômica e sem contemplar o impacto negativo da majoração da alíquota do IOF nas operações de crédito para PJ, a Diretoria de Economia, Regulação e Produtos mantém a sua projeção de um crescimento de 9,1% dos empréstimos no SFN em 2025, com as linhas de RL crescendo em 8,7% (10,0% para PF e 7,0% para PJ) e as com recursos direcionados (RD) em 9,7% (10,0% para PF e 9,0% para PJ).


