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ABBC, Mattos Filho e Banco Central debatem modernização do mercado de duplicatas e impactos no crédito empresarial

Evento em São Paulo reuniu representantes do órgão regulador, setor produtivo, advogados e instituições financeiras para discutir a transição para o modelo escritural em programação voltada ao mercado.

O evento Duplicata Escritural: Um marco ao crédito empresarial, realizado pela ABBC
em parceria com o Mattos Filho em São Paulo

A ABBC – Associação Brasileira de Bancos promoveu nesta terça-feira (24), em parceria com o escritório Mattos Filho, o evento Duplicata Escritural: Um marco ao crédito empresarial. Realizado na sede do escritório, em São Paulo, o evento reuniu reguladores, representantes do setor produtivo e instituições financeiras para discutir a modernização da duplicata, instrumento fundamental para o financiamento e a liquidez das empresas brasileiras diante de uma plateia formada por empresários e representantes do mercado financeiro.

O encontro ocorre em meio à transformação do mercado, impulsionado pela regulamentação conduzida pelo Banco Central do Brasil e pela evolução do modelo de duplicata escritural, que prevê o registro eletrônico desses títulos em entidades registradoras. Esse novo ambiente busca ampliar a transparência e a segurança das operações, reduzir riscos e duplicidade de lastro, além de fortalecer a rastreabilidade dos recebíveis utilizados em operações de crédito.

A programação abordou a relevância histórica das duplicatas no financiamento da atividade produtiva, as diferenças entre duplicata mercantil, duplicata de serviços e o modelo escritural, além do funcionamento do mercado secundário desses títulos, incluindo registro, cessão e circulação de recebíveis entre instituições financeiras e investidores.

Encontro destacou a importância da modernização das duplicatas para ampliar a segurança, transparência e eficiência no mercado de crédito.

Especialistas do Banco Central, do setor bancário e da indústria discutiram ainda como a evolução regulatória e tecnológica pode contribuir para ganhos de eficiência no mercado de crédito, com maior transparência, padronização de processos e redução de riscos sistêmicos. A expectativa é que o novo ecossistema fortaleça o financiamento das empresas de pequeno, médio e grande porte, ampliando o acesso ao crédito e aprimorando a dinâmica do capital de giro.

“A transição para o modelo escritural representa um avanço importante para o financiamento da atividade produtiva no país. Ao aumentar a segurança jurídica e a qualidade das garantias nas operações com duplicatas, o novo sistema contribui para o desenvolvimento do mercado de crédito e para maior eficiência na intermediação financeira”, destaca o CEO da ABBC – Associação Brasileira de Bancos, Leandro Vilain.

Na abertura do evento, o CEO da ABBC, Leandro Vilain, ressaltou a importância da transição para a duplicata escritural como instrumento de segurança e transparência nas operações de crédito.

“A grande inovação da duplicata escritural é trazer segurança, rastreabilidade e transparência ao mercado. Ao centralizar o controle da titularidade e da circulação do crédito em uma entidade supervisionada pelo Banco Central, reduzimos incertezas e abrimos espaço para um ecossistema mais eficiente, capaz de destravar o financiamento para empresas de todos os portes”, diz a sócia de Bancos e Serviços financeiros do Mattos Filho, Larissa Arruy.

Larissa Arruy, sócia do Mattos Filho, enfatizou a inovação do modelo escritural ao trazer mais rastreabilidade e eficiência ao mercado de crédito.

Rafael Jardim Goulart de Andrade, coordenador do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, apresentou todo o contexto da duplicata, desde sua primeira aparição no mercado, passando pela formalização até o formato moderno. “A escrituração vai trazer unidade e maior segurança às duplicatas, conferindo validade e previsibilidade. No modelo atual, não há aceite nem notificações estruturadas. Agora, passará a ser possível o aceite formal e a notificação do devedor da duplicata. Trata-se de uma evolução nos sistemas de escrituração e de registro, que aumenta a segurança para os financiadores e que esperamos ver refletida no custo do crédito.”

Rafael Jardim Goulart de Andrade, do Banco Central, apresentou a evolução regulatória da duplicata e os avanços esperados com a escrituração eletrônica dos títulos.

Fabiana Chemmer, gerente de Corporate Investment Banking do Banco BV, explicou como a financeira deverá atuar no processo, incluindo as questões de notificação ao devedor e jornada de crédito. “A expectativa é de um mercado mais dinâmico e mais aberto, principalmente para pequenos e médios empresários. Todo o processo passa a garantir mais segurança na formalização da dívida e um grau maior de transparência, com o registro e o histórico de pagamentos sendo recebidos e organizados de forma eletrônica. Na prática, o impacto é claro: para sacadores, esperamos redução dos spreads, aumento da competição, maior oferta de crédito e garantias mais robustas. Para sacados, a centralização das duplicatas e o acompanhamento digital de todo o ciclo, emissão, aceite, negociação e demais manifestações comerciais – trazem mais controle e segurança no pagamento.

Fabiana Chemmer, do Banco BV, abordou os impactos da duplicata escritural na jornada de crédito, com ganhos em ampliação do acesso ao financiamento.

Fernando Galvão de Almeida, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou os papéis dos players envolvidos no processo, como o Banco Central, escrituradoras e instituições financeiras no atual cenário desafiador da indústria. “A duplicata escritural trará mais dinamismo ao mercado. Esse título de crédito é altamente aguardado pela indústria, especialmente em um momento em que o setor reforça a discussão sobre o custo Brasil, apontando ineficiências sistêmicas, jurídicas, regulatórias e financeiras. Essa transição vai muito além da simples imagem que vocês veem: ela representa um avanço real na superação desses entraves.” Por fim, Fernando indicou aos presentes que consultassem o Guia da Duplicata Escritural, desenvolvido por meio do Conselho de Desenvolvimento Econômico, ligado à Secretaria de Relações Institucionais. Didático e tecnicamente robusto, o material foi referenciado para quem quer saber mais e se familiarizar com o tema.

Fernando Galvão de Almeida, da CNI, destacou o papel da duplicata escritural no fortalecimento do financiamento da indústria em um cenário desafiador.

Por fim, Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, destacou o papel da Associação neste novo momento do mercado. “Nossa missão é promover o debate sobre um verdadeiro divisor de águas no mercado de crédito, que vai ajudar muitas empresas a crescer por meio da tomada de empréstimos e incentivar a competitividade no setor financeiro. Por isso, criamos o HUB da ABBC, que conectará as instituições financeiras a todo o ecossistema e possibilitando que o empreendedor tenha sua instituição como parceira para a escrituração, além do agente financiador.”

Eurícion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, destacou o papel da Associação na conexão entre instituições financeiras e o novo ecossistema da duplicata escritural.

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