Em encontro da Acrefi, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, Euricion Murari, ressaltou que comissões técnicas das associações fortalecem a troca de informações, qualificam o reporte de incidentes ao Banco Central e ampliam a resiliência do ecossistema financeiro.

O Painel 2, “Cibersegurança no mercado financeiro: desafios operacionais, resiliência digital e avanços regulatórios” , reuniu Aristides Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do Banco Central do Brasil; Euricion Murari, diretor de Inovação da ABBC; Luana Tavares, CEO do INCC; e Valdir Assef Jr., gerente de Cibersegurança da Febraban

O Painel 1, “Fraude como risco estratégico: impactos financeiros, regulatórios e reputacionais”, teve as participações de Caio Porto Ferreira, delegado da Polícia Federal; Jose Luiz Santana, head de Segurança Digital do C6 Bank; Juliano Manrique, head de Prevenção a Fraudes da Equifax I BoaVista. A mediação do painel foi de Leandro Bissoli, sócio do Peck Advogados.
Nesta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, a Acrefi realizou, na Casa LIDE, um encontro que reuniu autoridades e especialistas do setor financeiro para debater prevenção a fraudes e cibersegurança. O evento teve como foco o fortalecimento das estratégias de proteção, a gestão de riscos, a comunicação com a alta liderança e o aprimoramento institucional diante de um cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas.
O Painel 1 – Fraude como risco estratégico: impactos financeiros, regulatórios e reputacionais teve as participações de Caio Porto Ferreira, delegado da Polícia Federal; Jose Luiz Santana, head de Segurança Digital do C6 Bank; Juliano Manrique, head de Prevenção a Fraudes da Equifax I BoaVista. A mediação do painel foi de Leandro Bissoli, Sócio do Peck Advogados.
Os debatedores destacaram a evolução acelerada das fraudes nos últimos anos, impulsionada pelo uso intensivo de tecnologias avançadas por organizações criminosas, capazes inclusive de contornar ou bloquear sistemas internos de segurança de empresas e instituições financeiras.
Como exemplo prático, foi apresentada a Operação Biometrics, conduzida pela Polícia Federal, que em 2025 cumpriu diversos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão nos estados de São Paulo e Ceará. A investigação identificou a abertura fraudulenta de contas correntes de empresas para obtenção de empréstimos, com uso de identidades falsificadas.
O painel também abordou os impactos regulatórios das Resoluções nº 538 e nº 5.274, voltadas à proteção das infraestruturas de dados, dos sistemas de pagamento e das comunicações no Sistema Financeiro Nacional. Outro ponto central foi o uso da Inteligência Artificial, tanto na aplicação de golpes — como a criação de falsos CNPJs por biometria facial — quanto no combate às fraudes. Os participantes ressaltaram o potencial da IA generativa para investigação, correlação e interpretação de dados, defendendo maior investimento nessas ferramentas, sempre acompanhado de controles rigorosos para evitar o uso indevido e a exposição de informações sensíveis.
O Painel 2 – Cibersegurança no mercado financeiro: desafios operacionais, resiliência digital e avanços regulatórios foi mediado por Euricion Murari, diretor de Inovação da ABBC, e reuniu Aristides Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do Banco Central do Brasil; Luana Tavares, CEO do INCC; e Valdir Assef Jr., gerente de Cibersegurança da Febraban.
Durante o painel, Aristides Cavalcante Neto, do Banco Central, apresentou um panorama atualizado das fraudes no Sistema Financeiro Nacional, destacando que a digitalização do consumo de produtos e serviços financeiros deslocou o foco dos crimes de ativos para dados e informações, pressionando as estruturas de governança e tecnologia. Dados do BC mostram que os incidentes críticos reportados passaram de 59, em 2024, para 76, em 2025, enquanto os casos com transações fraudulentas saltaram de 9 para 39 no mesmo período, atingindo não apenas o Pix, mas também o STR.
O representante do Banco Central alertou ainda para vulnerabilidades em APIs de modelos BaaS e SaaS, exploradas por grupos com elevado conhecimento técnico do sistema financeiro. Entre as falhas recorrentes estão o aliciamento interno, fragilidades na gestão de terceiros, ausência de proteção adequada e monitoramento contínuo de APIs. Como recomendação, reforçou a necessidade de governança robusta, controles rigorosos de acesso, gestão criteriosa de fornecedores e monitoramento ininterrupto, ressaltando que, na visão da supervisão, a responsabilidade pela gestão de riscos de terceiros é sempre da instituição financeira.
Nesse contexto, Aristides enfatizou a importância de que as instituições comuniquem seus incidentes ao Banco Central mesmo quando não houver a identificação formal dos responsáveis, uma vez que o foco do regulador está na compreensão do histórico, da narrativa e dos aspectos técnicos do ocorrido, permitindo uma atuação supervisora mais efetiva.
Complementando essa visão, Euricion Murari destacou que muitos desses debates e reportes podem ser amadurecidos previamente no âmbito das comissões técnicas das associações. Segundo ele, esses fóruns funcionam como espaços qualificados de troca, nos quais o foco está no entendimento do “como aconteceu”, e não no “quem foi”. “As comissões de cibersegurança nas associações ajudam muito porque criam um espaço de troca em petit comité: o foco não é ‘quem foi’, mas ‘como foi’. E esse tipo de troca traz inteligência e maturidade”, afirmou. Para Euricion, as associações cumprem um papel estratégico ao consolidar essas discussões e reportá-las de forma estruturada ao Banco Central, fortalecendo todo o ecossistema financeiro.

O diretor de Inovação e Serviços da ABBC, Euricion Murari, durante o painel 2 do evento
Luana Tavares, CEO do INCC, acrescentou que estudos indicam que cerca de 18% do PIB nacional pode estar exposto à captura por violações de dados, o que representa um impacto estimado em R$ 2,3 trilhões. Segundo ela, esse cenário impõe uma agenda urgente de aperfeiçoamento das gestões públicas e privadas, além de maior engajamento da sociedade no combate às fraudes. Defendeu ainda que o tema esteja no centro do debate eleitoral e destacou iniciativas como o Acordo de Cooperação entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Febraban.
Encerrando o painel, Valdir Assef Jr., da Febraban, reforçou a importância da cooperação e da evolução contínua. Destacou que, embora o setor financeiro seja um dos mais maduros no enfrentamento às fraudes, é essencial avançar em transparência, agilidade na resposta a incidentes e prontidão na comunicação com o regulador. Ressaltou também a necessidade de lideranças altamente qualificadas nas áreas de cibersegurança e prevenção a fraudes e enfatizou que, em um ambiente cada vez mais integrado a fornecedores, o combate à chamada “fraude informacional” exige coordenação ampliada e esforços conjuntos.
Confira a gravação completa do evento:


