Evento teve apoio da ABBC e reuniu lideranças do sistema financeiro para discutir inclusão, educação financeira, inovação tecnológica e os desafios da credibilidade e proteção no avanço do ecossistema digital brasileiro

Inovação, segurança digital, inteligência artificial e educação financeira estiveram no centro dos debates do Fórum de Bem-Estar Financeiro promovido pelo Sicredi, realizado no Teatro B32, no Itaim Bibi, em São Paulo. O encontro reuniu representantes do sistema financeiro, reguladores, academia, imprensa e lideranças empresariais para discutir os desafios e oportunidades da transformação digital no setor bancário brasileiro.
Um dos painéis de maior destaque abordou a evolução do Open Finance no Brasil e os impactos do compartilhamento de dados, da conectividade e da inteligência artificial sobre a vida financeira da população. Participaram: Leandro Vilain, CEO da ABBC; Ana Carla Abrão, presidente do Open Finance Brasil; e Diego Perez, representando a ABFintechs.
Os participantes convergiram na avaliação de que o país ocupa hoje posição de protagonismo global no tema, mas alertaram que os próximos avanços dependerão sobretudo de confiança, comunicação clara e letramento financeiro.
Presidente da Associação Open Finance Brasil, Ana Carla Abrão destacou que o Brasil lidera atualmente a maior operação de Open Finance do mundo, com mais de 750 instituições conectadas. Segundo ela, a principal transformação promovida pelo modelo é devolver ao consumidor o controle sobre suas próprias informações financeiras.
“O Open Finance veio para dar mais poder para as pessoas e para as empresas, para que elas usem a sua informação em benefício próprio”, afirmou. Para Ana Carla, a infraestrutura tecnológica já está consolidada, mas o próximo desafio será ampliar o entendimento da população sobre os benefícios disponíveis. “Precisamos discutir cada vez mais como comunicar melhor para as pessoas, para que elas tenham acesso a soluções mais democráticas, mais baratas e com mais opções. Isso passa necessariamente por letramento e educação financeira”, disse.


Na mesma linha, o CEO da ABBC, Leandro Vilain, ressaltou a robustez da infraestrutura digital brasileira, citando a expansão do Pix e o volume semanal de cerca de 10 bilhões de chamadas de API no ecossistema de Open Finance. Apesar dos avanços, ele chamou atenção para a necessidade de fortalecer a segurança digital e enfrentar a deterioração da qualidade do endividamento das famílias brasileiras.
“Confiança e credibilidade no sistema financeiro é tudo. O cliente precisa saber que está lidando com um parceiro capaz de proporcionar bem-estar financeiro”, afirmou. Vilain ponderou que o endividamento não é necessariamente negativo, desde que esteja ligado à geração de renda ou patrimônio. “O problema é que a qualidade do endividamento hoje está muito ruim. Muitas pessoas estão tomando crédito caro e de curto prazo para apostar em jogos”, alertou.
O executivo também destacou o potencial da inteligência artificial para personalizar soluções financeiras de acordo com a realidade de cada família. “A inteligência artificial, aliada aos dados, pode ajudar a entender a necessidade granular e individual de cada pessoa”, afirmou.

Representando a ABFintechs, Diego Perez destacou o papel das fintechs na construção do atual ambiente de inovação financeira no país. Segundo ele, muitas dessas empresas já operavam com compartilhamento de dados antes mesmo da criação formal do Open Finance, mas a padronização regulatória ampliou a segurança e a escalabilidade dessas soluções.
“As fintechs atuam no âmbito do Open Finance antes mesmo de ele existir. Com a criação dos frameworks e APIs de conectividade, esse caminho ficou mais facilitado e seguro”, afirmou. Perez observou que o setor reúne desde unicórnios até startups recém-criadas, muitas delas com soluções inovadoras voltadas à experiência do cliente e à educação financeira.
O executivo também apontou tendências futuras relacionadas à integração entre inteligência artificial e serviços financeiros, como os chamados “agent payments”, em que agentes de IA poderão executar transações e decisões financeiras em nome dos usuários. “Talvez no futuro nem precisemos mais de múltiplos aplicativos. Tudo estará conectado”, avaliou. Para ele, instituições financeiras que conseguirem compreender profundamente as necessidades dos clientes estarão mais preparadas para transformar o Open Finance em ferramenta efetiva de bem-estar financeiro.

O Fórum de Bem-Estar Financeiro faz parte da agenda institucional do Sicredi voltada ao fortalecimento do diálogo entre os diferentes agentes do setor financeiro e à promoção de iniciativas ligadas à inclusão, educação e desenvolvimento econômico sustentável. Mais informações sobre o evento estão disponíveis no canal oficial do fórum.


