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Conferência Anual do Banco Central: palestra magna de Christopher Erceg (FMI) e apresentação do presidente do BCB

Palestra magna da Conferência Anual do Banco Central do Brasil com Christopher Erceg

A edição de 2026 da Conferência Anual do Banco Central do Brasil foi realizada entre os dias 13 e 15 de maio, no edifício-sede da instituição, em Brasília, consolidando-se como um dos principais fóruns de debate econômico do país.

O encontro reuniu acadêmicos, especialistas do setor privado e representantes de bancos centrais e organismos multilaterais para discutir temas centrais da agenda econômica global e doméstica. A realização do evento contou com o apoio institucional do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ABBC apoiou o evento.

O CEO da ABBC, Leandro Vilain, participou do evento

Até o dia 15 de maio, a conferência abordará temas como política monetária, estabilidade financeira, inclusão financeira, comportamento do consumidor no mercado de crédito, sustentabilidade e riscos climáticos, efeitos de choques regulatórios, monetários e de crédito, moedas digitais, inovação tecnológica e o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina na análise econômica.

A programação vem incluindo diversas sessões acadêmicas paralelas, nas quais são apresentados trabalhos selecionados — em inglês e sem tradução simultânea —, reforçando o caráter técnico e internacional do evento. No dia 13 de maio, ocorreram a palestra magna de Christopher Erceg (FMI), a sessão especial e a cerimônia de premiação dos Melhores Trabalhos para Discussão. Confira abaixo a palestra de Erceg na íntegra:


Também no dia 13, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez uma apresentação. Segundo ele, o país atravessa o quarto choque de oferta em menos de seis anos. “Esses episódios colocam o Banco Central diante de um desafio bastante particular. Nosso ‘barco’ foi desenhado para enfrentar outro tipo de intempérie. No entanto, esse tipo de choque afeta diretamente a percepção sobre o núcleo do nosso mandato — preservar o custo de vida das pessoas, a estabilidade da moeda e o controle da inflação”, explica.

Para Galípolo, “esse debate chegou ao cotidiano das pessoas e evidencia a dissonância, muitas vezes, entre os números oficiais e a percepção no dia a dia. Como os bancos centrais são estruturados para perseguir uma meta de inflação, sua atuação se orienta por indicadores, enquanto a população, na prática, lida diretamente com o nível de preços”.

“Após quatro choques, os bancos centrais se encontram em uma situação particularmente desafiadora para endereçar esses problemas. Aqui, temos a oportunidade de dialogar com autoridades e pesquisadores de ponta em política monetária e temos observado uma certa resistência ao uso do termo ‘estagflação’ neste período”, ressaltou o presidente do BC. “Curiosamente, há menos resistência à ideia de ‘estagnação’, mas maior cautela em relação ao termo ‘inflação’. É importante destacar que o que estamos vivenciando é entendido como uma inflação tradicional, embora com origens distintas, não necessariamente ligadas a pressões de demanda.”

Ele concluiu: “Precisamos ter cuidado no uso da terminologia. Isso, por si só, não resolve o problema central, que é como as pessoas percebem a evolução dos preços. O Banco Central precisa ser capaz de navegar por esse novo desafio. O Banco Central não vai se desviar do seu objetivo, que é o controle da inflação, e seguirá reforçando seu ‘barco’ para atravessar períodos de maior adversidade”.

O presidente do BC encerrou sua participação falando sobre política monetária. “No ano de 2026, o Comitê de Política Monetária, o Copom, completa trinta anos. E, na concepção de formulação do Copom, temos a maravilhosa figura do Chico Lopes, que nos deixou recentemente”, afirma.

Galípolo elogiou a trajetória do economista: “Ele é um clássico e nos deixa com essa certeza de que, quanto mais o tempo passar, maior ele ficará. O Chico segue sendo esse farol para nós, de perseverança e de dedicação em sua contribuição, seja na academia, seja aqui no Banco Central — aquilo que afeta tanto o nosso destino e a vida das pessoas comuns, que é a atuação da autoridade monetária do Banco Central. Esta Casa e o país são eternamente gratos a ele.”

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