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ABBC e suas associadas são premiadas no Top 5 do Banco Central por precisão nas projeções econômicas

Associação recebeu o reconhecimento por acurácia no indicador Taxa Selic de Longo Prazo; premiação reuniu instituições e autoridades para debates sobre cenário econômico

À esquerda, o diretor de Economia, Regulação e Produtos, Everton Gonçalves, recebe do diretor do BC, Paulo Picchetti, o prêmio que reconhece a ABBC pela precisão nas projeções da Taxa Selic de longo prazo na Pesquisa Focus. Na imagem à direita, Everton Gonçalves celebra com Nelson Rocha Augusto, diretor Presidente e economista-chefe do Banco BRP, associado à ABBC que também recebeu seu certificado Top 5 na categoria de projeções IPCA – Longo Prazo – Ano Corrente

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) foi reconhecida nesta quarta-feira (9/4) pelo Banco Central durante a Premiação Anual das Instituições Top 5, realizada no edifício da autoridade monetária em São Paulo. A entidade conquistou o primeiro lugar nas projeções de Longo Prazo Anual – Ano Corrente de Taxa Selic na Pesquisa de Expectativas de Mercado (Focus).

O prêmio foi recebido pelo diretor de Economia, Regulação e Produtos da ABBC, Everton Gonçalves, que representou a associação na cerimônia. “Esse reconhecimento reforça o compromisso da ABBC com análises técnicas rigorosas e com a contribuição qualificada ao debate econômico, especialmente em um ambiente desafiador para a formação de expectativas”, afirmou.

Também receberam seus prêmios pela acurácia das projeções econômicas as instituições associadas: Banco BRP, BMG, Banco Safra, C6 Bank, PicPay e Sicredi, e outra dezena de instituições de mercado. Ao todo mais de 150 instituições participaram com suas projeções para compor o relatório Focus, segundo o BC.

Confira a gravação completa do evento:

A abertura do evento foi conduzida pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O presidente afirmou que o Relatório Focus deve ser entendido como uma “fotografia” da percepção dos agentes econômicos sobre o futuro. Nesse contexto, destacou que a mediana das projeções (o valor central das estimativas, que separa a metade mais alta da metade mais baixa) não representa consenso, mas convive com divergências, refletindo a pluralidade de visões do mercado.

Ao tratar da atuação institucional, reforçou que o BC “não está disponível para negociar o seu mandato” e defendeu o avanço no processo de autonomia do regulador. Segundo ele, o conceito ainda é, por vezes, mal interpretado como um afastamento da democracia, quando, na prática, representa o fortalecimento da capacidade técnica da autoridade monetária. Galípolo afirmou que, embora a autonomia já esteja estabelecida, é importante completar esse processo com um arcabouço institucional mais adequado.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, conduz a abertura da premiação e destaca a importância da qualidade das expectativas de mercado e importância da autonomia do BC

Na sequência, a programação contou com mesas-redondas dedicadas ao cenário internacional, ao ambiente doméstico e às perspectivas para inflação e política monetária. Os debates foram mediados pelos diretores do Banco Central, Paulo Picchetti e Nilton David, com participação de representantes das instituições premiadas do Top 5.

A ABBC integrou a terceira mesa, dedicada à discussão sobre inflação e política monetária.

No painel 1, dedicado ao cenário internacional, os participantes avaliaram que o Federal Reserve não deve reduzir juros em 2026, diante das incertezas associadas ao conflito no Irã. Também apontaram que Ásia e Europa tendem a ser mais impactadas por eventuais choques na oferta de petróleo e commodities, especialmente com riscos envolvendo o Estreito de Hormuz. Nesse ambiente, a expectativa é de efeitos ao longo do ano sobre o desemprego global, maior risco fiscal, reorganização de parcerias comerciais e adoção de políticas econômicas mais restritivas.

No painel 2, sobre o cenário nacional, os vencedores do Top 5 do Relatório Focus destacaram como pontos a serem observados nos próximos meses como influenciadores da economia: o mercado de trabalho resiliente, riscos fiscais e a necessidade de monitorar os efeitos da inteligência artificial.

Entre os outros pontos apontados como relevantes no longo prazo estão: a safra agrícola robusta, as sobras para produção de energia ainda existentes no país, mudanças no IR (isenção para quem ganha até R$ 5 mil) como potencial de formalização, o elevado endividamento das famílias, além dos efeitos da reforma tributária e do cenário político.

Também foram destacadas tendências como maior formalização — incluindo entregadores por aplicativo, com impacto no PIB e renda —, manutenção de juros elevados, pressão inflacionária externa e melhora da balança comercial com exportações de petróleo.

O painel 3 do evento debateu as perspectivas dos vencedores do Top 5 Focus para inflação e política monetária

O painel 3, cujo tema era inflação e política econômica, contou com a participação da ABBC. O diretor de Regulação e Economia da ABBC, Everton Gonçalves, destacou a dificuldade crescente de realizar projeções em um ambiente de elevada incerteza, ressaltando que erros fazem parte do processo. Ele iniciou a fala agradecendo à equipe de economia da ABBC pelo apoio técnico nas análises e decisões da associação.

Segundo Gonçalves, a manutenção de juros elevados em 2025 contribuiu para o controle inflacionário, ainda que a convergência à meta siga gradual. Ele também enfatizou a importância de interpretar a comunicação do Banco Central para antecipar os rumos da política monetária.

Para o cenário atual, apontou maior complexidade, com preocupações no mercado de crédito diante de juros altos, possível desaceleração da atividade e riscos no mercado de trabalho, fatores que podem impactar a inadimplência e a oferta de crédito.

Everton Gonçalves representou a ABBC no painel 3 do evento que abordou o tema inflação e política monetária, contribuindo para o debate sobre as perspectivas econômicas

Sobre a metodologia do Top 5

O ranking Top 5 da Pesquisa Focus classifica as instituições participantes de acordo com a precisão de suas projeções para indicadores macroeconômicos, como inflação, taxa de juros, câmbio, PIB e desemprego. A metodologia considera diferentes horizontes — curto, médio e longo prazos — e busca incentivar a melhoria contínua da qualidade das expectativas de mercado

Tradicionalmente, a premiação funciona como um importante estímulo à produção de análises econômicas mais acuradas, contribuindo para maior transparência e eficiência na formação de expectativas sobre a economia brasileira.

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