Pesquisa da ABBC- Associação Brasileira de Bancos indica que a modalidade, que possui a taxa de juros mais baixa do mercado, é utilizada principalmente como solução emergencial para o orçamento familiar

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), realizada em parceria com a Nexus, aponta que 56% dos beneficiários recorreram ao empréstimo consignado por necessidade financeira urgente, evidenciando a importância dessa modalidade de crédito para a população. A destinação dos recursos reforça esse papel: o crédito foi utilizado principalmente para quitar dívidas atrasadas (35%), pagar contas do dia a dia (34%) e arcar com despesas médicas (28%).
Com a possibilidade de respostas múltiplas, o levantamento foi feito, entre 10 e 22 de fevereiro de 2026, com 1.200 aposentados e pensionistas que contrataram empréstimo consignado do INSS em todas as regiões do país.
A pesquisa identifica um cenário de orçamento pressionado. Nesse contexto, 53% dos entrevistados possuem dívidas em atraso e apenas 14% classificam sua situação financeira como ótima ou boa. As principais preocupações concentram-se no pagamento de contas do domicílio (51%) e de dívidas ou empréstimos (32%).
Quando questionados sobre a eventual indisponibilidade da modalidade, 70% afirmam que isso poderia impactar negativamente sua organização financeira. Dentre aqueles que podem realizar nova contratação, 73% indicam que provavelmente utilizariam novamente o produto.
Em relação ao perfil de quem contrata, 88% são responsáveis pelo sustento da casa, sendo que 59% são os únicos provedores, muitas vezes recorrendo ao crédito para cobrir despesas essenciais em momentos de fragilidade econômica.
84% dos entrevistados afirmam que a contratação foi fácil ou muito fácil
O levantamento também analisou o processo de contratação. Para 84% dos entrevistados, a contratação foi fácil ou muito fácil. O atendimento presencial na agência bancária é o canal individual mais frequente (30%), associado principalmente à percepção de segurança. Já os canais digitais (aplicativos, whatsapp e sites de bancos), somados, representam 53% das contratações e são relacionados à praticidade e rapidez.
Entre as dificuldades por quem relatou algum obstáculo na contratação, destacam-se bloqueios mensais dos benefícios para a contratação de empréstimos realizados pelo INSS, bem como o impedimento nos primeiros 90 dias do benefício.
Para Leandro Vilain, CEO da ABBC, os dados indicam que a modalidade integra a dinâmica financeira de parte relevante dos beneficiários. “O empréstimo consignado é uma alternativa segura e acessível para aposentados e pensionistas do INSS, atendendo majoritariamente um público de baixa renda, muitas vezes com restrições cadastrais, com uma das menores taxas do mercado, contribuindo para a inclusão financeira e previsibilidade orçamentária”
O CEO da ABBC acrescenta, ainda, que o debate sobre crédito deve considerar tanto acesso quanto responsabilidade. “O crédito formal cumpre papel relevante no sistema financeiro ao oferecer alternativas estruturadas. A atuação das instituições deve ser pautada por responsabilidade institucional, clareza nas informações e sustentabilidade das operações.”
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o levantamento apresenta um retrato descritivo do perfil dos clientes que contratam o empréstimo. “A pesquisa evidencia que o consignado é majoritariamente direcionado a despesas correntes e compromissos financeiros já existentes, contribuindo para compreender como o produto se insere no orçamento doméstico desse público.”
A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas telefônicas, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
CONFIRA A REPERCUSSÃO DA PESQUISA NA IMPRENSA
O GLOBO – COLUNA I MIRIAM LEITÃO
Pesquisa: maioria contrata empréstimo consignado por necessidade financeira urgente
VALOR ECONÔMICO
Consignado do INSS tem entraves após mudanças | Finanças | Valor Econômico
BROADCAST
UOL
Bancos devem apresentar proposta para facilitar desbloqueio no INSS
PODER 360
35% dos aposentados usam consignado para quitar dívidas
O LIBERAL
RECORD NEWS
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