
A ABBC apresentou, nesta sexta-feira (24), o Hub ABBC de Duplicata Escritural durante o CERC Edge 2025, em São Paulo — evento que reuniu reguladores, líderes do mercado financeiro e representantes da economia real para discutir os avanços da duplicata escritural no Brasil e o início da fase de produção assistida de implementação deste título, prevista para 2026.
O Hub ABBC é uma plataforma tecnológica pioneira que conecta bancos e escrituradoras em um ambiente digital integrado, neutro e colaborativo, simplificando a integração ao novo sistema de duplicatas escriturais. A solução promove eficiência, padronização e interoperabilidade, reduzindo custos tecnológicos e automatizando processos.
Atualmente em fase de implementação junto às registradoras e instituições financeiras, o Hub reforça o protagonismo da ABBC na digitalização do crédito. “O Hub ABBC é um exemplo concreto de como a Associação se antecipa às transformações do mercado, entregando soluções estruturantes e de alto impacto para o sistema financeiro”, afirmou o CEO da ABBC, Leandro Vilain.
Durante o evento, Leandro Vilain participou do painel “Como os setores estão se preparando para a duplicata escritural”, ao lado de Mário Mello (Banco Safra) e com mediação de Fátima Rios (CPO da CERC). O debate abordou os impactos da digitalização dos recebíveis sobre o crédito empresarial e as oportunidades de inclusão financeira que o novo modelo trará.
Vilain destacou que a duplicata escritural representa uma transformação estrutural para pequenos e médios empreendedores, que ainda enfrentam grandes barreiras para acessar crédito de qualidade. Segundo ele, a nova infraestrutura tende a democratizar o financiamento empresarial, ampliando o acesso a empréstimos mais seguros, acessíveis e competitivos — especialmente para empresas que tradicionalmente ficam à margem do sistema financeiro.
O CEO também ressaltou que o mercado de duplicatas poderá se tornar um verdadeiro motor de estabilidade econômica, ao trazer previsibilidade, segurança jurídica e padronização — elementos que fortalecem a concorrência e reduzem o custo do crédito no país.
Ao analisar o potencial de expansão do setor, Vilain observou que o mercado de duplicatas movimenta cerca de R$ 11 trilhões por ano, embora grande parte desse volume esteja concentrada em operações de curtíssimo prazo, com média de 60 dias. Atualmente, a carteira de desconto efetiva é estimada em aproximadamente R$ 200 bilhões.

Com a consolidação da duplicata escritural, porém, o executivo projeta que o volume total poderá alcançar até R$ 1 trilhão, impulsionado pela inclusão de empresas que antes não tinham acesso ao crédito formal.
“Não é exagero imaginar um mercado de um trilhão de reais. Boa parte será composta por empresas que antes não tinham crédito. Isso aquece a economia no ponto certo — o pequeno empresário — e fortalece a competitividade”, afirmou.
Vilain também elogiou o arcabouço regulatório que sustenta o novo modelo, destacando a segurança jurídica e a solidez da base normativa construída pelo Banco Central e demais órgãos reguladores.
A duplicata escritural, que substituirá gradualmente o modelo em papel a partir de 2026, é um título eletrônico que registra operações de venda a prazo entre empresas. Supervisionada pelo Banco Central, ela assegura transparência, rastreabilidade e segurança jurídica em cada transação.
Na prática, cada duplicata representa um direito de recebimento futuro — um valor que a empresa vendedora tem a receber de seu cliente. Com a digitalização e o registro eletrônico, esse direito passa a ter lastro formal e verificável, tornando-se um ativo financeiro reconhecido. Assim, o empresário pode utilizar a duplicata como garantia para antecipar o recebimento junto a instituições financeiras, transformando o crédito a receber em capital imediato para impulsionar suas operações.
Outros debates do CERC Edge 2025
O evento contou ainda com outros painéis complementares: Microreformas e modernização do crédito, com Otávio Damaso (ex-diretor do Banco Central), Rodrigo Maia (ex-presidente da Câmara dos Deputados) e mediação de Fernando Fontes (CERC); Implementação da Duplicata Eletrônica, com Gilneu Bruno (Banco Central), Balduccini (Pinheiro Neto Advogados) e mediação de Mariana Cunha (CERC).
Durante o último painel, Gilneu Bruno destacou que o Banco Central deve aprovar ainda em outubro os planos de testes das escrituradoras, passo decisivo para o início da produção assistida em 2026 e a obrigatoriedade plena em 2027.


