Apesar de que a desaceleração já esteja clara, e alinhando-se à taxa de juros em patamar contracionista e à moderação da atividade, o ritmo de crescimento do mercado de crédito ainda permanece em patamar elevado.
O crescimento do saldo do estoque do Crédito Ampliado ao Setor Não Financeiro (CASNF) reduziu-se de 10,9% a.a. em jun/25 para 10,5% a.a. em julho (15,3% a.a. em dez/24). Ademais, a boa performance do mercado de capitais ainda é sustentada, com a expansão dos títulos privados mantendo-se na margem em 18,5% a.a. (24,4% em dez/24) e dos securitizados reduzindo-se na margem de 25,4% a.a. para 18,4% a.a. (37,8% em dez/24).
De acordo com o Comitê de Estabilidade Financeira (COMEF), os fundos de crédito privado mantiveram uma captação líquida positiva, de modo que a combinação entre maior demanda por títulos de crédito privado e a redução na oferta desses instrumentos tem contribuído na redução dos spreads.
No âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), o crescimento do saldo dos empréstimos diminuiu de 10,8% a.a. em jun/25 para 10,7% a.a. (11,5% a.a. em dez/24), com a alta para pessoas físicas (PF) diminuindo de 11,9% a.a. para 11,5% a.a. (12,6% a.a. em dez/24) e para pessoas jurídicas (PJ) elevando-se de 8,9% a.a. para 9,5% a.a. (9,9% a.a. em dez/24).
Também em desaceleração, as concessões acumuladas em 12 meses (12m) diminuíram a alta de 13,9% a.a. para 12,3% a.a. em julho (15,5% a.a. em dez/24), com o indicador reduzindo-se de 17,7% a.a. para 15,8% a.a. para PJ (17,6% a.a. em dez/24) e o para PF de 10,9% a.a. para 9,5% a.a. (13,8% a.a. em dez/24).
Com recursos direcionados (RD) o avanço acelerou de 7,0% a.a. para 8,3% a.a. (9,1% a.a. em dez/24). Mais impactado pelo aperto monetário, o indicador nos novos empréstimos com recursos livres (RL) desacelerou de 14,8% a.a. para 12,8% a.a. (16,3% a.a. em dez/24).
Com a implementação da Resolução CMN nº 4.966/2021, observou-se um menor volume de baixas para prejuízo pelas instituições financeiras (IFs), o que resultou em uma mensuração mais elevada para a inadimplência do que os números anteriormente calculados. Contudo, de acordo com o próprio COMEF, ocorreu um aumento dos ativos problemáticos, o que significou uma deterioração na qualidade do crédito.
Assim, a taxa de inadimplência média ficou em 3,8% para o SFN, com altas de 0,2 p.p. no mês (+0,8 p.p. no ano). Nas linhas com RL, o indicador acumulou altas de 0,2 p.p. na margem (+1,1 p.p. no ano), fechando em 5,2%, o maior patamar desde nov/17. Em linha com os novos critérios de contabilização, as IFs elevaram os seus níveis de provisões, as mantendo em níveis compatíveis com as estimativas de perdas esperadas calculadas pelos modelos internos do Banco Central.
Os indicadores de endividamento das famílias e do comprometimento da renda recuaram na margem, ficando, respectivamente, em 48,7% e 27,6%. Porém, ainda se encontram próximos às máximas históricas, o que desperta preocupação em um cenário de crescimento do endividamento, projeção de desaceleração da atividade econômica e de aumento no desemprego.
Por fim, a Diretoria de Economia, Regulação e Produtos, da ABBC, ainda mantém sua projeção para o crescimento da carteira de crédito para 2025 em 9,1% (10,0% para PF e 7,7% para PJ), sendo altas de 8,7% com RL (10,0% para PF e 7,0% para PJ) e de 9,7% com RD (10,0% para PF e 9,0% para PJ).


