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“Moderação mais nítida”

De acordo com o Banco Central (BC), o mercado de crédito tem apresentado uma moderação mais nítida na sua dinâmica, quando comparado com os indicadores da atividade. Neste sentido, são observados o recuo nas concessões com recursos livres (RL) e a elevação nas taxas de juros. Adicionalmente, destacou o aumento do comprometimento da renda das famílias com o serviço das dívidas e do fluxo de crédito negativo, com o pagamento superando a contratação de novas dívidas no segmento para as pessoas físicas (PF). No que tange à inadimplência, além de reforçar o efeito da Resolução CMN 4.966/21, o BC assinalou que passou recentemente a observar um aumento no indicador devido às condições econômicas.

A expansão do Crédito Ampliado ao Setor Não Financeiro (CASNF) reduziu-se ao longo do ano, diminuindo de 15,3% a.a. em dez/24 para 10,6% a.a. em junho. Já no âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), o avanço dos empréstimos desacelerou no período de 11,5% a.a. para 10,7% a.a., recuando de 11,2% a.a. para 9,7% a.a. nas linhas com RL.

No mercado de capitais, a manutenção da Selic em terreno contracionista reduziu a elevação do estoque de debêntures e notas comerciais de 24,4% a.a. em dez/24 para 16,3% a.a. em junho e o saldo de CRIs, CRAs e FIDCs de 37,8% a.a. para 25,6% a.a., porém, ainda exibindo ritmos elevados quando se considera a conjuntura econômica.

O aumento das concessões acumuladas em 12 meses (12m) com RL diminuiu de 16,3% a.a. em dez/24 para 14,8% a.a. em junho, com a taxa para PF reduzindo-se de 14,8% a.a. para 12,7% a.a.. Com recursos direcionados (RD), o crescimento caiu de 9,1% a.a. para 6,9% a.a., fundamentalmente por causa da desaceleração de 23,7% a.a. para 11,2% a.a. nos financiamentos imobiliários para PF.

Na carteira com RL, mais sensível às movimentações da política monetária, a taxa média de juros apresentou uma alta de 4,7 p.p. no ano, com o indicador subindo 2,6 p.p. para PJ e 5,2 p.p. para PF.

Ajustando-se aos novos critérios da Resolução CMN 4.966/21 e as condições da economia, a taxa de inadimplência das operações de crédito no SFN em junho era de 3,6%, acumulando altas de 0,1 p.p. no mês (+0,6 p.p. no ano). Considerando somente a carteira com RL, o indicador exibiu elevações de 0,1 p.p. no mês para 5,0% (+0,9 p.p. no ano).

Adicionalmente, as elevações nos índices de endividamento das famílias e de comprometimento da renda, encerrando maio em respectivamente 49,0% e 27,8%, finalizando próximos às suas máximas históricas de 49,9% em jun/22 e de 27,9% em mai/23, na ordem, ratificam a preocupação do BC.

Ao longo de 2025, os níveis de provisão foram elevados refletindo não alguma perda de qualidade da carteira, mas principalmente a nova sistemática de cálculo para o provisionamento, de acordo a Resolução CMN 4.966/21. O aumento no ano nas Instituições Financeiras Públicas (IFpub) foi de 1,1 p.p. para 6,0%, de 1,9 p.p. para 8,3% nas Privadas (IFprib) e de 1,5 p.p. para 7,3% nas Estrangeiras (IFest).

A despeito dos efeitos do ciclo de elevação da Selic no mercado de crédito, a Diretoria de Economia, Regulação e Produtos da ABBC segue projetando uma desaceleração no crescimento dos empréstimos do SFN em 2025, mantendo, entretanto, um ritmo forte, encerrando o ano com uma alta de 9,1% (10,0% para PF e 7,7% para PJ), sendo de 8,7% com RL (10,0% para PF e 7,0% para PJ) e de 9,7% com RD (10,0% para PF e 9,0% para PJ).

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