
As auditorias continuam sendo ferramentas fundamentais para garantir a integridade e a conformidade das operações no sistema financeiro. No entanto, muitas instituições financeiras ainda enfrentam desafios recorrentes nesse processo, como uma maior eficiência na detecção de inconformidades, a sobrecarga de dados não estruturados e avanços para uma maior antecipação de riscos operacionais, para estar bem estruturada no momento de ser auditada. Em um cenário de crescente complexidade regulatória e necessidade de respostas mais ágeis, surge a demanda por modelos mais modernos, contínuos e colaborativos de supervisão.
Foi com esse olhar que a BSM Supervisão de Mercados apresentou, no dia 9 de maio, durante a reunião da Comissão de Compliance da ABBC, os principais destaques do Plano de Auditoria de 2025.
Alexandre Segala Romano, gerente de Auditoria da BSM; Fátima Guerra, superintendente de Auditoria da BSM, e Eric Takeo Kiyota, coordenador de Auditoria da BSM, explicaram que o Plano de Auditoria 2025 apresenta a metodologia MC²D, sigla que significa Monitoramento Contínuo Conjunto de Dados. Essa metodologia foi estruturada a partir de 2022, com a criação de um grupo de trabalho – incluindo os participantes da B3 do segmento listado – e que já realizou 25 reuniões, contando atualmente com mais de 60 participantes. Esse trabalho conjunto permitiu avanços importantes, como a publicação da primeira versão do manual de layouts em maio de 2023 e a implementação de entregas obrigatórias, inicialmente para RLP e depois estendidas a outros processos. Em junho de 2023, todos os layouts da versão vigente passaram a ter prioridade definida. Hoje, o material está na versão 2.4.
A metodologia
O conceito da MC²D parte da constatação de que o modelo tradicional, baseado em análises pontuais, já não consegue acompanhar com eficiência a dinâmica das operações atuais. É baseado em dados estruturados, enviados regularmente pelos participantes, o que viabiliza uma supervisão mais próxima da realidade diária das instituições.
Ao longo da apresentação, foram destacados os principais componentes do monitoramento baseado na MC²D, como:
- padronização das entregas por meio do manual de layouts.
- automação completa da rotina, desde o recebimento dos arquivos até a devolutiva dos resultados.
- expurgo das informações após o processamento, conforme descrito no manual.
- criação de uma equipe técnica dedicada, com canal exclusivo de atendimento.
- disponibilização de um FAQ com dúvidas frequentes, atualizado continuamente.
O fluxo operacional também foi detalhado durante a reunião. Conforme apresentado por Eric Takeo Kiyota, os participantes da MC²D realizam o envio dos arquivos por meio de um portal dedicado, no qual os layouts são submetidos automaticamente a uma rotina de validação técnica. Essa rotina verifica a conformidade com o manual de layouts, incluindo número de colunas, presença de campos obrigatórios e estrutura geral. Caso haja inconsistências, o próprio sistema retorna o arquivo ao participante com a descrição do erro. Quando o layout é validado, o conteúdo é submetido à execução de testes automatizados, cujos resultados geram um reporte acompanhado de anexo explicativo, caso sejam identificadas inconformidades. Após o processamento, todas as informações são expurgadas, garantindo a segurança e a confidencialidade dos dados.
Benefícios
Segundo os representantes da BSM, a iniciativa tem gerado bons retornos do mercado, tanto pela agilidade na correção de eventuais inconsistências quanto pela maior eficiência do processo de supervisão. Não foram apresentados cases específicos.
A proposta do MC²D da BSM é permitir que os participantes tenham tempo e base para ajustes, construindo um modelo de supervisão mais alinhado à realidade operacional.


