Como desdobramento do ciclo do aperto monetário, a taxa média das novas operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) vem se elevando. Contudo, a elevação do indicador foi inferior ao aumento de 3,75 p.p. da Selic, subindo de 27,7% a.a. em ago/24 para 31,3% a.a. em março.
A despeito da política monetária contracionista, o mercado de crédito vem sustentando o seu dinamismo. De uma forma geral o impacto é ainda baixo, com o crescimento do Crédito Ampliado ao Setor Não Financeiro (CASNF) de 13,3% a.a. em março, mantendo-se muito próximo ao verificado no início da elevação da Selic. O efeito se faz mais sentido nas modalidades do mercado de capitais, com o avanço do saldo de títulos privados reduzindo-se de 21,9% a.a. em ago/24 para 20,6% a.a. em março e o dos securitizados de 37,4% a.a. para 29,2% a.a..
No SFN, o ritmo de crescimento das operações reduziu-se pelo 3º mês consecutivo, diminuindo de 10,4% a.a. em ago/24 para 9,9% a.a. em março. Nas linhas com Recursos Livres (RL), a desaceleração limitou-se às operações para Pessoas Jurídicas (PJ), com a expansão reduzindo-se no período de 7,6% a.a. para 5,0% a.a., enquanto para Pessoas Físicas (PF) houve um avanço de 10,8% a.a. para 11,3% a.a. Com Recursos Direcionados (RD), a perda de ritmo foi verificada nas modalidades para PF, com a expansão reduzindo-se de 12,9% a.a. para 11,7% a.a..
Com 4 quedas consecutivas, o aumento das concessões totais acumuladas em 12 meses (12m) era de 15,0% a.a. em março, acima dos 12,1% a.a. observados em ago/24. Porém, apesar de ser mais sensível ao impacto da política monetária, a expansão dos novos empréstimos com RL era de 15,9% a.a., velocidade superior aos 12,6% a.a. de ago/24.
No que tange à qualidade dos empréstimos, o cenário é confortável. A taxa de inadimplência de 0,3% para as Grandes Empresas (Ge) mantém-se em patamar historicamente baixo. Em 4,6% para as Micro, Pequena e Médias empresas (MPMe), o indicador está muito próximo dos 4,5% de ago/24. Nas linhas com RL para PF, a inadimplência, subiu ligeiramente de 5,5% em ago/24 para 5,6% em março. Contudo, a capacidade de pagamento das famílias é um fator a se monitorar. O comprometimento da renda alcançou 27,2%, patamar próximo do pico histórico de 27,8% em mai/23.
Com os sinais ainda incipientes na moderação da atividade econômica e baixo impacto no mercado de crédito, a Diretoria de Economia, Regulação e Produtos mantém a sua projeção de um crescimento de 9,1% dos empréstimos no SFN em 2025, com altas de 8,7% no saldo com RL (10,0% para PF e 7,7% para PJ) e de 9,7% com RD (10,0% para PF e 9,0% para PJ).


