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Consignado Privado avança com ajustes operacionais e perspectiva de crescimento

A Associação Brasileira de Bancos promoveu, no dia 23 de abril, uma reunião extraordinária da Comissão de Crédito Consignado para discutir a implementação do crédito consignado privado, linha de financiamento destinada a trabalhadores do setor privado e lançada oficialmente pelo governo em 12 de março. Em pouco mais de um mês, a modalidade já movimentou cerca de R$ 8,2 bilhões, beneficiando aproximadamente 1,5 milhão de empregados regidos pela CLT.

Durante o encontro, foram apresentados os principais marcos e desafios do projeto, que agora entra em nova fase de operação. A expectativa é de que a abertura de novos canais para contratação direta e o início da portabilidade de crédito, previstos para maio e junho, impulsionem ainda mais a adesão ao produto.

O macrofluxo operacional do consignado privado está dividido em etapas bem definidas. Desde meados de abril, instituições financeiras carregaram as carteiras de contratos legados e ajustaram o cálculo das margens salariais, enquanto se preparavam para a liberação do refinanciamento dessas carteiras. Já em 6 de maio, começou a fase inicial de portabilidade de empréstimos pessoais sem garantia para o novo modelo, evoluindo em junho para a migração assistida via módulo específico.

Entre as novidades trazidas pelo novo consignado está a utilização do FGTS como garantia adicional. Ainda assim, foram relatados desafios operacionais, como a instabilidade da plataforma CTPS Digital, inconsistências nos valores apresentados nas simulações e dificuldades na carga completa de contratos antigos.

Outro ponto de atenção discutido foi a averbação e o repasse dos descontos em folha de pagamento, inicialmente processados por meio de arquivos da Dataprev. Os bancos pleiteiam melhorias, como a automatização do processo via eSocial, de modo a reduzir a dependência da atuação das empresas empregadoras. A migração de dívidas para novos empregadores também foi tema de debate, com pedido para que o fluxo seja automatizado, evitando a necessidade de renegociação direta com os clientes.

A comunicação institucional vem sendo estruturada de forma ampla, envolvendo o Ministério do Trabalho e Emprego, a Dataprev, a Caixa Econômica Federal e entidades representativas do setor financeiro. Além da divulgação de manuais e FAQs nos portais oficiais, ações como lives, vídeos explicativos e campanhas via WhatsApp para empregadores têm fortalecido o esclarecimento sobre os procedimentos e vantagens do novo modelo.

Consignado Privado: portal do produto no site do Ministério do Trabalho

Os dados divulgados até o início de abril apontam a realização de mais de 110 milhões de simulações na CTPS Digital, com cerca de 21 milhões de solicitações de propostas e 532 mil contratos efetivamente fechados — o que representa uma taxa de conversão de 2,5%. O valor médio financiado por contrato foi de aproximadamente R$ 6,2 mil, com uma parcela mensal média de R$ 350, reforçando o perfil de crédito de pequeno a médio porte focado na renda formal.

Com os ajustes operacionais em andamento e a expansão da base de empregadores aptos a participar, o consignado privado se consolida como uma nova alternativa de acesso ao crédito para trabalhadores da iniciativa privada. O setor financeiro mantém a expectativa de que, com a ampliação da portabilidade e a maior integração dos sistemas, o volume contratado cresça de forma consistente nos próximos meses, contribuindo para fortalecer o mercado de crédito pessoal com taxas mais atrativas e maior segurança para as instituições.

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