Mesmo com o aperto monetário iniciado em set/24, a expansão anual do estoque do Crédito Ampliado ao Setor Não Financeiro (CASNF) só apresentou uma redução na margem por causa do efeito na categoria dívida externa da apreciação da taxa de câmbio em janeiro. Apesar de que haja a expectativa de perda de tração no mercado de capitais, o segmento de títulos de dívida ainda apresenta um bom dinamismo. Com a exceção de algumas modalidades, como o capital de giro para pessoas jurídicas (PJ), a evolução das operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) ainda foi pouco afetada pela política monetária, com os estoques dos principais agregados ostentando um crescimento superior ao verificado no período anterior ao aumento da Selic.
Da mesma forma, o impacto do aumento da taxa de juros nas concessões ainda é incipiente. Após uma sequência de 11 elevações, o ritmo de expansão anual das concessões totais acumuladas em 12 meses (12m) reduziu-se em janeiro. Porém, desconsiderados os efeitos sazonais, na margem os novos empréstimos elevaram-se pelo 4º mês consecutivo. Nas modalidades para pessoas físicas (PF) com recursos livres (RL), as linhas emergenciais mantiveram um crescimento anualizado próximo ao observado no período prévio a set/24. Na mesma base comparativa, o indicador para o financiamento imobiliário – principal linha para PF com recursos direcionados (RD) – exibiu uma pequena aceleração.
Ainda que dependa também da composição do portfólio das linhas de crédito, a taxa média de juros das novas operações respondeu apenas parcialmente à elevação da Selic. Como o aumento da taxa média de captação para as operações com RL foi em um ritmo mais intenso, o spread médio das operações reduziu-se desde o início do ajuste monetário.
Com a deterioração significativa das condições financeiras, a taxa média de inadimplência da carteira de crédito registrou uma elevação considerável em janeiro. Como ainda permanece em nível confortável, e modalidades apresentando movimentos em sentidos contrários na margem, parece prematura a avaliação de que já esteja ocorrendo uma inflexão na tendência. Apesar do cenário ainda favorável para o mercado de trabalho e renda, os níveis de endividamento das famílias e do comprometimento da renda encontram-se em patamares próximos aos picos históricos, o que é um ponto de atenção, sobretudo com a perspectiva de desaceleração da atividade econômica.
Adicionando-se a esta conjuntura a provável manutenção por um período longo das taxas de juros em patamar contracionista e a maior cautela na concessão de empréstimos, o Banco Central (BC) diminuiu a sua projeção de expansão do crédito em 2025 de 9,6% para 7,7%. Com RL, a revisão foi de 10,0% para 8,5% para PF e de 9,0% para 7,0% para PJ. Já com RD, a redução foi de 10,0% para 7,5% para PF e de 9,0% para 7,5% para PJ.
Aguardando os impactos mais inequívocos da política monetária na atividade e dinâmica do crédito, a Diretoria de Economia, Regulação e Produtos, estima um crescimento da carteira de empréstimos em 2025 de 9,1% (10,0% para PF e 7,7% para PJ), com elevações de 8,7% nas modalidades com RL (10,0% para PF e 7,0% para PJ) e de 9,7% com RD (10,0% para PF e 9,0% para PJ).


