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CEO da ABBC destaca papel do Pix na inclusão financeira

Durante evento do Citi em São Paulo, Leandro Vilain mencionou a possibilidade de mudanças nas estruturas do setor financeiro associadas ao avanço da tokenização e destacou a importância da qualidade dos dados e do fortalecimento da segurança cibernética nas instituições.

Leandro Vilain fala durante o Citi Insights (foto: Eduardo Merli)

O CEO da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Leandro Vilain, participou, na manhã desta terça-feira (1º de setembro), do painel “Modernização do sistema financeiro”, durante o evento Citi Insights, em São Paulo.

Moderado por Claudio Hayashi, Head of Core Domestic, X-Border and Commercial Cards Payments do Citi Brasil, o painel discutiu as principais transformações do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos e os desafios para a consolidação de um ambiente cada vez mais digital, inclusivo e seguro.

Ao abordar a evolução dos pagamentos instantâneos, Vilain destacou o impacto socioeconômico do Pix e sua contribuição para a inclusão financeira. Segundo o CEO da ABBC, a digitalização dos pagamentos vem reduzindo de forma significativa a utilização de dinheiro em espécie, que historicamente representava uma parcela relevante da atividade econômica brasileira. Para ele, o Pix se consolidou como um dos principais marcos recentes de inclusão financeira no país, ao ampliar o acesso da população a meios de pagamento digitais.

No Open Finance, Vilain defendeu uma agenda voltada à consolidação do ecossistema. Embora o sistema já registre um volume expressivo de chamadas de APIs, o executivo avaliou que o momento exige o aprimoramento das estruturas existentes, com foco na qualidade dos dados, na interoperabilidade e na experiência do cliente. Na avaliação do CEO, a consolidação dessas bases é fundamental para que o mercado possa avançar de forma sustentável na criação de novos produtos e serviços.

A segurança cibernética também esteve entre os principais temas do debate. Vilain chamou atenção para a crescente sofisticação das fraudes e para os desafios associados à expansão de novas infraestruturas e produtos financeiros. Nesse contexto, ressaltou a importância de investimentos contínuos em mecanismos de proteção, incluindo medidas para reforçar a segurança de certificados digitais e credenciais utilizadas pelas instituições. Para o executivo, a modernização do sistema financeiro precisa caminhar em conjunto com o fortalecimento da infraestrutura de segurança, de forma a evitar novos riscos para o ecossistema.

Na agenda de ativos digitais e recebíveis, Vilain apresentou iniciativas da ABBC voltadas à evolução da infraestrutura do mercado. Entre elas, destacou o Hub da Duplicata Escritural, projeto em fase final de desenvolvimento que busca conectar escrituradoras e instituições financeiras em uma plataforma integrada, contribuindo para a interoperabilidade e a eficiência do ecossistema de duplicatas escriturais.

O CEO também mencionou a Rede ABBC, iniciativa já em operação pela Associação que busca viabilizar a tokenização de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). Apesar dos avanços tecnológicos, Vilain ressaltou que a expansão dos ativos digitais depende também da evolução e da consolidação dos marcos jurídico e regulatório, de modo a garantir maior previsibilidade às operações e segurança jurídica aos participantes do mercado.

Durante o mesmo painel, o advogado e especialista em Direito Tributário Fabricio Parzanese dos Reis, do Velloza Advogados, apresentou sua análise sobre os impactos da Reforma Tributária. Segundo o tributarista, a mudança representa uma transformação estrutural do sistema, ao ampliar a base de incidência e substituir o conceito tradicional de prestação de serviços por uma definição mais abrangente de “fornecimento”. Ele também destacou que a criação do Comitê Gestor deverá trazer novos desafios administrativos, especialmente na gestão do regime de não cumulatividade plena.

Para Parzanese, a transformação exigirá de empresas e instituições maior capacidade de controle e análise, com mapeamento detalhado das operações e dos fluxos tributários. Nesse contexto, os próprios agentes econômicos passarão a ter papel ainda mais relevante no cumprimento das obrigações e no funcionamento do novo modelo de fiscalização.

O especialista também chamou atenção para os desafios operacionais e financeiros associados ao mecanismo de Split Payment e às particularidades do período de transição. Conforme discutido no painel, a retenção automática dos tributos no momento do pagamento poderá produzir impactos relevantes sobre o fluxo de caixa das empresas, especialmente em operações a prazo, além de exigir atenção para situações de recolhimento antecipado ou em duplicidade.

A complexidade aumenta durante a fase de transição, marcada pela convivência temporária com o ISS, prevista até 2032. Segundo o especialista, esse cenário exigirá adaptações contínuas por parte das empresas e dos entes públicos e poderá ampliar a necessidade de ajustes regulatórios e a judicialização de questões relacionadas à interpretação e à aplicação das novas regras.

A programação do Citi Insights reuniu ainda discussões sobre as perspectivas para a economia brasileira e os cenários relacionados a moedas digitais e governança. O evento reuniu representantes do mercado financeiro e especialistas para discutir as transformações em curso e os próximos passos para o desenvolvimento do sistema financeiro brasileiro.

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