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Transformação no sistema financeiro avança com IA, tokenização e novas infraestruturas

Em debate no Inovabra, Euricion Murari, da ABBC, e Petrus Batalha, do Bradesco, discutiram aplicações de inteligência artificial, governança, requalificação e iniciativas como o Hub de Duplicata Escritural

Evento da inovabra, em São Paulo (foto: Eduardo Merli)

A evolução tecnológica do sistema financeiro vem ampliando a eficiência das instituições, mas também aumenta a necessidade de governança, segurança e qualificação profissional. O tema foi discutido nesta quarta-feira (2), durante evento promovido pelo Inovabra Habitat, com participação de Euricion Murari Soares de Pinho, diretor de Serviços e Tecnologia da ABBC, e Petrus Batalha, Staff+ AI Engineer do Bradesco. A conversa foi mediada por Daniel Ramos, Head de Eventos & Conteúdo do Inovabra.

Realizado a partir dos conteúdos apresentados na Febraban Tech 2026, o encontro abordou mudanças provocadas pela digitalização, aplicações de inteligência artificial (IA), tokenização e a evolução da Duplicata Escritural.

Murari destacou que a transformação digital do sistema financeiro ganhou velocidade nos últimos anos, especialmente com a mudança de hábitos provocada pela pandemia e a expansão de iniciativas como o Pix e o Open Finance. Na avaliação do diretor da ABBC, o setor entrou em uma etapa na qual a adoção de novas tecnologias precisa ser acompanhada pelo fortalecimento de processos de governança e gestão de riscos.

“É preciso agora conciliar avanço tecnológico e sustentabilidade”, afirmou.

Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC, fala sobre tokenização e duplicata escritural no evento da inovabra, em São Paulo (foto: Eduardo Merli)

A inteligência artificial ocupou parte relevante do debate. Batalha apresentou um caso de uso em que a transcrição de uma reunião entre áreas de negócio e tecnologia foi utilizada para gerar uma especificação e acelerar a criação de um protótipo. A aplicação permitiu reduzir etapas do desenvolvimento, mantendo a participação dos profissionais na validação e na tomada de decisões.

O engenheiro do Bradesco também destacou o potencial da IA para reduzir o tempo dedicado a atividades operacionais e permitir que profissionais concentrem esforços em tarefas de maior complexidade, como decisões estratégicas, testes de segurança e pesquisas. Nesse contexto, ressaltou a importância de estabelecer mecanismos de controle para o uso da tecnologia dentro das organizações.

Os chamados guardrails, ou mecanismos de proteção e controle, foram apresentados como parte dessa estrutura. Segundo Batalha, plataformas internas com esses recursos podem restringir a exposição de informações sensíveis e, ao mesmo tempo, apoiar processos de requalificação dos colaboradores.

Murari chamou atenção para outro elemento desse processo: a qualidade dos dados. Para ele, além de infraestrutura e controles, as instituições precisam desenvolver a capacidade de avaliar criticamente as informações e os resultados produzidos pelos sistemas de inteligência artificial. A tecnologia, nesse cenário, amplia a capacidade das equipes, mas não elimina a necessidade de conhecimento especializado.

A discussão sobre infraestrutura também incluiu a Duplicata Escritural. Murari apresentou a evolução da iniciativa e destacou o potencial da nova estrutura para ampliar a utilização de recebíveis como garantia em operações de crédito.

A Duplicata Escritural permite o registro eletrônico dos recebíveis de operações comerciais, aumentando a visibilidade sobre esses ativos e criando condições para sua utilização em operações de crédito. A solução está em fase de produção assistida e tem cronograma de entrada em produção a partir de 2027.

Nesse ecossistema, a ABBC desenvolveu o Hub de Duplicata Escritural, iniciativa voltada à integração das instituições financeiras às diferentes escrituradoras e à padronização do processo. Segundo Murari, a estrutura busca simplificar o onboarding e reduzir o esforço tecnológico necessário para a conexão das instituições, especialmente as de pequeno e médio porte.

A tokenização foi outro tema abordado no encontro. Murari mencionou a participação da ABBC no ecossistema do Drex, incluindo a formação de um consórcio com 16 instituições financeiras no piloto e o desenvolvimento de uma rede baseada em tecnologia de registro distribuído (DLT), com possibilidade de interoperabilidade com outras redes de tokenização.

Para os participantes, iniciativas como a Duplicata Escritural e a tokenização mostram que parte importante da transformação do sistema financeiro ocorre na infraestrutura que sustenta as operações. Os efeitos dessas mudanças podem aparecer gradualmente, à medida que novas soluções são integradas às instituições e utilizadas em escala.

O debate também voltou à preparação das pessoas para essa transformação. Batalha ressaltou que o avanço da IA exige requalificação e capacidade de supervisão por parte dos profissionais. “É possível delegar uma atividade para a Inteligência Artificial, mas não é possível delegar a responsabilidade final pelo resultado dela”, afirmou.

Murari reforçou a importância da governança diante da ampliação do uso de tecnologias e da distribuição dos riscos entre diferentes sistemas, fornecedores e participantes do ecossistema financeiro. “O risco está diluído, mas a responsabilidade não”, sintetizou.

A discussão mostrou, assim, que a transformação tecnológica do setor financeiro ocorre simultaneamente em diferentes frentes — da inteligência artificial à modernização da infraestrutura de crédito — e exige a combinação de inovação, controles e capacitação para que essas soluções sejam incorporadas de forma segura pelas instituições.

Assista à gravação do evento: inovabra apresenta | Download Febraban Tech 2026: agentes inteligentes, liderança humana

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