Em entrevista ao Valor, ABBC aponta que juros elevados e apostas digitais contribuem para o endividamento e ampliam os riscos de inadimplência.

O endividamento das famílias com renda mensal de até três salários-mínimos atingiu o recorde de 84,9% em julho, segundo recorte exclusivo da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado ao Valor. O dado foi comentado pelo CEO da ABBC, Leandro Vilain, em entrevista publicada pelo jornal em 9 de agosto.
Para Vilain, o crédito emergencial com juros elevados pode ser um problema para a população de menor renda. Ele defende a redução da taxa básica de juros e afirma que taxas altas geram maior inadimplência e perdas para as instituições financeiras. A reportagem também destaca a contribuição das apostas digitais para o endividamento das famílias de menor renda.
O resultado representa o quarto recorde consecutivo do indicador, que também ficou acima da média de todas as faixas de renda, de 82%.
Os indicadores de inadimplência desse grupo também pioraram entre junho e julho. A parcela de famílias com contas em atraso passou de 38,3% para 38,5%, enquanto a proporção das que afirmaram não ter condições de quitar as dívidas avançou de 17,6% para 17,8%. No mesmo período, o comprometimento mensal da renda com dívidas subiu de 30,4% para 30,6%.
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