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Investidor sai de LFT com Selic menor

Os papéis indexados à Selic (os pós-fixados) têm se mostrado a pior aplicação entre os títulos públicos. O Índice de Mercado da Anbima (IMA), calculado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros (Anbima) em conjunto com o Tesouro Nacional, aponta que uma carteira de investimentos formada exclusivamente por LFTs (Letra Financeira do Tesouro, papéis indexados à Selic) rendeu apenas 11,7% nos 12 meses terminados em março.
Já uma carteira aplicada em papéis indexados à inflação foi a campeã de rendimento, com 19,8% em 12 meses até março. Uma carteira montada exclusivamente com papéis prefixados rendeu ao investidor 16,2% nos 12 meses terminados em março.
A discrepância continua mesmo em uma série mais longa: nos 36 meses terminados em março, uma carteira de pós-fixados rendeu apenas 34%, ante 63,8% de uma carteira de títulos indexados à inflação, e 43,9% de papéis prefixados.
Com os sucessivos cortes na Selic, os fundos de investimento reduziram sua participação de papéis pós-fixados em março a 49,3% do total de aplicações em títulos públicos. Trata-se do menor peso dos LFTs nas carteiras dos fundos desde 2007, quando chegou a quase 70%.
Março foi justamente o mês em que o Banco Central (BC) acelerou o corte da Selic, ao reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual - ritmo mantido em abril. Os cortes anteriores haviam sido de 0,5 ponto. Hoje, a Selic está em 9% ao ano.
Segundo Fernando Garrido, coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, esta tendência "continua sólida em abril". De acordo com os técnicos do Tesouro, os investidores devem continuar nesse processo de diluição da participação das LFTs no total de títulos públicos em circulação, devido à queda de rendimento.
Ao todo, os papéis indexados à Selic fecharam março respondendo 26,3% do estoque total de títulos públicos em circulação do mercado (R$ 1,855 trilhão), ante 27,84% em fevereiro. Com isso, a participação das LFTs atingiu, em março, o menor patamar na dívida pública federal total desde meados de 1997, segundo o Tesouro Nacional.
Ainda assim, a parcela da dívida federal vinculada à Selic é a única que ainda não está dentro da meta estabelecida pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) 2012, que é entre 22% e 26% do total da dívida. O Tesouro acredita que, ao longo do ano, esse perfil da dívida vai sofrer alterações e alcançar o padrão desejado.
As LFTs aumentaram sua participação na dívida pública após a explosão da crise asiática, em meados de 1997. Naquele momento, segundo Garrido, as LFTs representavam menos de 1% do total da dívida pública, então muito concentrada em papéis prefixados de curto prazo (com vencimento em até dois anos). A crise nos países da Ásia provocou um rebuliço nos mercados, forçando o governo brasileiro a elevar fortemente a taxa básica de juros para atrair capital e, consequentemente, tornar mais atrativos os papéis indexados à Selic.
Fonte: Valor Econômico/ João Villaverde/ Thiago Resende - 24/04/2012
 


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