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Inadimplência segue em alta e Bradesco breca o crédito

Num momento em que os bancos privados estão sob pressão para reduzir as taxas de juros, o Bradesco mostra que continua a conviver com a alta dos calotes. Com o aumento da inadimplência no período entre janeiro e março, as despesas com provisões para devedores duvidosos na instituição atingiram R$ 3,09 bilhões, um crescimento de 30,1% na comparação com igual trimestre de 2011. O estoque de crédito ficou praticamente estável em relação ao quarto trimestre de 2011, com leve alta de 0,4%, para R$ 269,7 bilhões (sem avais, fianças e outros).
A comparação entre o fim do ano, um período tradicionalmente mais forte para o crédito por causa do 13º salário, é sempre pouco precisa para indicar tendências. Mas, de janeiro a março do ano passado, a carteira de empréstimos do Bradesco tinha crescido mais: 4% em relação ao período encerrado em dezembro de 2010. "No primeiro trimestre, apenas o consignado (+ 3,3%) e o financiamento imobiliário (+10,3%) tiveram uma expansão significativa em relação a dezembro", escreveram ontem os analistas do Goldman Sachs em relatório. Em 12 meses, o crescimento do estoque de empréstimos no Bradesco foi de 12,4%. O resultado disso foi também uma expansão mais modesta do lucro líquido no primeiro trimestre, que cresceu 3,4% em relação ao mesmo período de 2011, para R$ 2,79 bilhões. Em relação ao quatro trimestre de 2011, o crescimento foi de 2,5%.
A piora na qualidade da carteira deveu-se principalmente ao maior atraso no pagamento das pessoas físicas e das micro, pequenas e médias empresas. A inadimplência total acima de 90 dias atingiu 4,1%, com aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2011. Na comparação com igual trimestre de 2011, a alta foi de 0,5 ponto percentual.
O banco prevê que o ano termine com uma taxa de inadimplência de 3,9%, igual à registrada em dezembro do ano passado. Segundo Luiz Carlos Angelotti, diretor-gerente do banco, o índice já deve mostrar estabilidade ao longo deste trimestre, com redução a partir de julho. O banco espera uma estabilização do volume de pagamentos atrasados desde agosto do ano passado, mas os índices só têm crescido, acompanhando a tendência do sistema financeiro.
Em teleconferência com jornalistas, Angelotti não descartou a possibilidade de nova redução das taxas de juros de algumas linhas como forma de se defender da concorrência. "Estamos avaliando. Novas providências devem ser adotadas." Diante da estratégia mais agressiva dos bancos públicos, o executivo afirmou que o objetivo do Bradesco é ao menos manter a participação de mercado atual no crédito, de 12%.
O que contribuiu para o resultado do banco foram as operações de tesouraria, a desaceleração dos gastos administrativos e o resultado da seguradora do grupo. A Bradesco Seguros representou 32% do resultado do banco, contra 28% no primeiro trimestre de 2011 e 31% no quarto trimestre.
Depois de abrir mais de mil agências no ano passado, os gastos administrativos do banco começaram a entrar em rota de queda. No primeiro trimestre deste ano, houve uma redução de 8% nos gastos administrativos e de pessoal na comparação com o último trimestre de 2011. "O banco buscará compensar a pressão nas margens com a maior busca por eficiência", disse Angelotti.
Com os problemas enfrentados pelo crédito, o retorno sobre o patrimônio líquido do banco encerrou março em 21,4%, com uma queda de 2,8 pontos percentuais ante igual período de 2011 e estável (- 0,1 ponto percentual) em relação ao quarto trimestre.
O ritmo mais vagaroso da expansão do crédito divulgado pelo Bradesco pode ser a tônica do que está por vir ao longo desta semana nos balanços dos demais bancos privados, explicando também a campanha que o governo iniciou pela redução das taxas de juros cobradas nos empréstimos. Hoje é a vez de o Itaú Unibanco mostrar seu balanço, seguido pelo Santander Brasil na quinta-feira.
Na quarta-feira, o Banco Central (BC) divulgará o relatório das operações de crédito do sistema financeiro nacional em março. Até fevereiro, os dados oficiais indicavam uma expansão de 0,2% do crédito no acumulado do ano e de 17,3% em 12 meses. Mas os bancos públicos vinham mais acelerados, com alta de 0,8% no ano e de 22,2% em 12 meses. Com as recentes campanhas de redução do custo do crédito, Banco do Brasil e, principalmente, Caixa Econômica Federal podem acabar roubando mercado dos bancos privados, dependendo do contra-ataque que Bradesco, Itaú e Santander montarem.
Fonte: Valor Econômico/ Carolina Mandl - 24/04/2012
 


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