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Reforço do caixa do FMI sai sem proposta anticrise

Os países que compõem o G-20 deixaram de lado parte de suas diferenças em reuniões nos últimos dias em Washington para reforçar em pelo menos US$ 430 bilhões a muralha anticrise ("firewall") do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas não foram capazes de delinear uma estratégia comum para desarmar a armadilha de instabilidade financeira que tomou curso na Europa ou o baixo crescimento nas economias avançadas.
O Comitê Monetário e Financeiro Internacional, um colegiado que define as políticas do FMI, reconheceu a urgência de retomar o crescimento econômico para garantir sustentabilidade aos planos de ajuste fiscal já anunciados. "O que está claro nas nossas mentes é a necessidade de restabelecer o crescimento econômico dentro de dois ou três anos", disse o presidente do comitê, o ministro das finanças de Cingapura, Tharman Shanmugaratnam. "Se não voltarmos ao crescimento normal, a sustentabilidade fiscal não será possível, também."
A crise europeia se recrudesceu nos últimos dias na Espanha, com investidores duvidando da capacidade de, num ambiente de recessão, o governo entregar o ajuste fiscal prometido. Há receios de que, mesmo depois dos reforços, os recursos diponíveis no FMI e nos fundos de socorro europeus sejam insuficientes para resgatar a Espanha e a Itália.
O comunicado final da reunião do FMI procura conciliar no papel visões distintas de seus membros, como a defesa da manutenção da austeridade fiscal feita pela Alemanha, os apelos do FMI e dos Estados Unidos pelo uso de espaço fiscal de curto prazo e a preocupação do Brasil e outros emergentes com a políticas monetárias expansionistas de economias desenvolvidas.
Às vésperas do encontro do G-20, grupo que reúne as mais importantes economias do mundo, e das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, conclamou as autoridades econômicas do mundo todo a criarem um "Momentto Washington", tomando ações decisivas.
Ao fim das reuniões, o que ela tem para mostrar é o reforço em pelo menos US$ 430 bilhões no caixa do FMI, por meio de operações de empréstimos feitos por apenas parte de seus integrantes, para construir uma muralha financeira que evite que um eventual agravamento da crise europeia se alastre dentro do próprio continente e a outras partes do mundo.
Para muitos, foi o primeiro teste de Lagarde, que está há menos de um ano no cargo, e uma vitória pessoal dela - superando resistências do principal sócio do FMI, os Estados Unidos, do Reino Unido e do grupo de países que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que queriam vincular o aporte de recursos a um compromisso mais profundo com uma reforma nas cotas no organismo que dê maior peso de voto aos países emergentes.
Lagarde primeiro baixou o valor do aporte da faixa dos US$ 500 bilhões a US$ 600 bilhões para US$ 400 bilhões, esvaziando parte das expectativas. Em seguida, assegurou que os Estados Unidos, que já haviam decidido não contribuir, não se colocassem como obstáculo para que outros países o fizessem. Ela anunciou um a um os apoios de países, incluindo o Japão, para mostrar que o pote iria encher mesmo que os Brics não entrassem nele.
No fim, os Brics acabaram cedendo, concordando em contribuir com o pacote de reforço monetário. Para manter algum poder de barganha, o Brasil procurou evitar que os países do grupo divulgassem agora quantias específicas. Mas uma nota à imprensa divulgada por engano pelo FMI, que foi recolhida em seguida, dizia que a China e a Rússia se comprometeram com valores específicos - o que sugere que o grupo rachou no meio das negociações.
"Saímos daqui com [uma muralha anticrise] de mais de US$ 400 bilhões, acho importante", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconhecendo o sucesso do trabalho conduzido por Lagarde. O comunicado final do G-20 e da reunião do FMI são muito explícitos em reafirmar uma agenda de reformas no organismo que transfira mais poderes aos emergentes
Mas a muralha de proteção é apenas um dos vários pontos defendidos pelo FMI para vencer a crise, segundo documento apresentado na reunião do conselho financeiro do organismo, divulgado ontem. No lado fiscal, por exemplo, Lagarde defendeu uma consolidação de longo prazo, sobretudo no Japão e Estados Unidos, e menos ênfase no curto prazo, nos casos de países com credibilidade para se endividar no mercado.
Fonte: Valor Econômico/ Alex Ribeiro - 23/04/2012
 


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