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BC aproveitou ‘janela‘ para cortar juro

Entre a entrevista do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para a "Globo News" na semana passada e o comunicado de quarta, houve uma mudança sensível na postura do Copom.
Na entrevista, Alexandre Tombini confirmou que os termos da ata da reunião de março do comitê continuavam valendo. O documento atribuia "elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando". O mercado entendeu que a Selic, portanto, ficaria estabilizada em 9% por um bom tempo, já que a mínima histórica foi de 8,75% em 2009.
No comunicado da reunião do Copom de quarta, quando a taxa Selic caiu para 9% ao ano, o BC usou a expressão "dando seguimento" ao processo de ajuste das condições monetárias, sem indicar qualquer sinal de parada. Tomou o cuidado de colocar também que essa decisão foi feita com base nas condições "deste momento" e "até agora".
As condições externas continuam ruins com indícios de piora, mas a economia doméstica começou a reagir em março. Economistas privados consideram elevadas as chances de a atividade econômica já ter tido um bom crescimento no mês passado, levando o desempenho do PIB no primeiro trimestre a 1%.
Diante da possibilidade de uma aceleração mais forte no segundo trimestre e da atividade estar crescendo, na margem, no fim do ano em algo entre 6% e 6,5%, o Copom teria visto agora uma "janela de oportunidade" de reduzir a taxa básica de juros antes que isso ocorra. Ou seja, o comitê pegaria a recuperação econômica "em velocidade cruzeiro" com a taxa nominal de juros a mais baixa possível. E, se por ventura tiver que aumentar a Selic mais adiante, no caso de ameaça inflacionária, ela subirá de uma base menor.
Fica, porém, o problema da caderneta de poupança. Quando a Selic chegou a 8,75%, taxa que vigorou por nove meses, de julho de 2009 a março de 2010, não chegou a haver uma fuga dos investidores de fundos para a poupança, lembrou uma fonte do governo.
Na verdade, o que houve foi um aumento na captação da poupança, mas nada que se configurasse como algo inadministrável. Também não houve uma recusa do mercado em financiar a dívida pública atrelada à taxa Selic, além do que ainda há, na visão do governo, uma margem para os fundos de investimentos cortarem taxas de administração e, com isso, melhorar a rentabilidade para o investidor comparativamente à poupança. Há quem considere Selic a 8,5% como piso para a taxa nominal de juros incentivar a migração de recursos dos fundos para a poupança.
Fonte: Valor Econômico/ Claudia Safatle - 20/04/2012
 


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