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Banco público contra-ataca para ter menor taxa de juro

Poucas horas separaram o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a redução da taxa Selic em 0,75 ponto percentual (p.p.) para 9% ao ano, na quarta-feira à noite, e o contra- ataque dos bancos públicos. Ontem, o Banco do Brasil anunciou um novo corte nas taxas de juros para pessoas físicas e jurídicas, dentro do programa "Bom pra todos", e a Caixa divulgou uma força-tarefa de vendas dentro de seu programa "Melhor Crédito", que não imprimiu segunda revisão de tarifas mas ampliou horário diário de atendimento em uma hora bem como abertura de agências em alguns sábados para venda de crédito.
Segundo analistas, esse cenário volta a pressionar as instituições privadas a seguirem o caminho dos bancos públicos e reduzirem novamente as suas taxas. A lógica das instituições públicas é que, com Selic em queda, é possível repassar novas revisões aos clientes. Além disso, querem o posto de menor taxa.
Alexandre Abreu, vice-presidente de negócios de varejo do BB, não esconde que um dos motivos para a nova redução das taxas de juros, além do corte na Selic, foi o anúncio promovido por bancos privados, que em algumas modalidades anunciaram taxas melhores. "Vimos que em algumas linhas não ficamos com as taxas mais baixas, então reduzimos porque, tradicionalmente, temos as taxas mais baixas", afirma.
Um exemplo é a taxa de juros do financiamento de veículos anunciada pelo Bradesco na quarta-feira, em que a mínima é de 0,97% ao mês, acima do 0,99% do programa do BB no dia 4 de abril. Para não perder o posto, a instituição pública reduziu sua taxa mínima para 0,95%.
Novas reduções, segundo Abreu, irão depender de maiores volumes de crédito - que compensam a queda nos spreads - e redução das perdas com inadimplência. "Sempre que houver espaço e for mercado logicamente importante, vamos reduzir as taxas."
De acordo com o executivo, as taxas mais baixas motivaram a tomada de crédito. O número de adesões ao programa chegou ontem a 60 mil. Já a média diária de novas concessões cresceu 45%. "Essas liberações indicam que os clientes estão transferindo dívidas, tanto na pessoa física quanto na jurídica", diz.
João Augusto Salles, analista da Lopes Filho, acredita em mais pressão para os bancos privados. "Novamente, serão pressionados a abaixar as taxas. Podem vir novos cortes, mas de forma seletiva: vai ser oferecido para cliente do banco, por exemplo. Agora, é fato que quanto mais Selic cair, mais os custos dos bancos (funding) caem e isso pode ser repassado", diz.
O BB não teme que o aumento nas concessões obrigue o banco a antecipar os planos de capitalização. "Não há nenhuma alteração nesse sentido", diz Abreu. Em dezembro de 2011, a Basileia do BB era de 14%,acima dos11%mínimos exigidos pelo Banco Central. Quanto maior o indicador, maior é a capacidade de uma instituição financeira conceder crédito. O banco público, assim como a Caixa, que tem Basileia de 13,4%,tem capacidade menor de expansão do que concorrentes privados.
"A atual capitalização desses bancos consegue suportar o crescimento dos empréstimos. No entanto, o capital será um fator limitante já que a Basileia 3 entra em vigor no ano que vem", diz Ceres Lisboa, vice-presidente de crédito da Moody‘s, sobre novas regras de requerimento de capital.
O Itaú, por sua vez, tinha Basileia de 16,4%, Bradesco de 15,1% e o Santander de 19,9%.O único privado que tem situação semelhante a dos públicos é o HSBC com 13,5%. "No banco britânico, sempre foi bem baixo. Na hora que precisar, a matriz manda dinheiro", lembra Salles. Ele lembra que Basileia mais baixa é preocupante em bancos médios ou de nicho, como os de montadora. Mas minimiza esse problema para instituições controladas pelo governo. "Os médios sofrem ataques de saques de investidores institucionais. O jogo é assim. Banco federal não tem esse problema."
Fonte: Brasil Econômico/ Ana Paula Ribeiro/ Natália Flach - 20/04/2012
 


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