Você está em: Assessoria Econômica > Notícias

Assessoria Econômica

Notícias

Sem surpresa, BC corta Selic em 0,75 ponto para 9%

A decisão unânime anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) veio em linha com o que o mercado esperava. A queda de 0,75 ponto percentual (p.p.) — que levou a taxa de juros para 9% ao ano —, já estava precificada desde a divulgação da última ata do Copom. No documento, o BC afirmava que levaria a Selic para níveis ligeiramente acima dos patamares mínimos históricos, que é de 8,75%.
Tatiana Pinheiro, economista-sênior do Santander, diz que, apesar de não ter havido surpresa na intensidade do corte, o comunicado não veio em linha com que a ata explicitava . “Não tem sinalização de pausa. Em julho 2009, quando acabou ciclo de cortes, o comunicado do BC trouxe essa indicação”, afirma, acrescentando que a projeção do banco continua de 9% para o ano. “Hoje, o mercado de juros deve ficar bastante aquecido, principalmente, nos contratos curtos.”
Em curto comunicado, o BC não disse tampouco que continua o ciclo. “O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionaria. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, decidiu reduzir a taxa Selic para 9% a.a.”, afirma a nota.
Nesse patamar nominal, os juros reais chegam ao menor nível da história, de 3,35%, levando em consideração o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado pelo boletim Focus de 5,47% para os próximos 12 meses. Antes disso, o menor havia sido de 4,02%, em março de 2010, com a Selic em 8,75% e IPCA de 4,55%.
Dessa forma, o Brasil perde a incômoda e histórica liderança no ranking de maior taxa de juro real do mundo. O país é ultrapassado pela Rússia, com 4,2%, segundo levantamento feito pela corretora Cruzeiro do Sul. Logo atrás do Brasil, vem a China com 2,9%.
A questão que se coloca agora é se a autoridade monetária vai manter os juros nesse patamar, nos próximos oito meses. A ata que será publicada na semana que vem pode dar pistas dos próximos passos do BC.
“A questão é que, dada a característica do BC de não se comunicar bem com o mercado, não dá para descartar novos cortes na Selic”, considera Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria. Júlio Gomes de Almeida, ex-secretário de política econômica do ministério da Fazenda e economista do Iedi, também acha que o BC pode rever essa questão colocada na ata da reunião de março. “O nível de atividade no início do ano veio muito fraco. Dependendo da fragilidade da economia, o BC pode decidir não parar de reduzir”, afirma.
Fonte: Brasil Econômico/ Natália Flach - 19/04/2012


Endereço:
Av. Paulista, 1.842 - 15º andar - conj. 156
Edifício Cetenco Plaza - Torre Norte Cerqueira César - CEP: 01310-923
São Paulo - SP
Telefone: (5511) 3288-1688
Fax: (5511) 3288-3390