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Burocracia trava crédito às pequenas empresas

Dentro do pacote de medidas do início do mês, o governo federal divulgou que parte dos R$ 45 bilhões em novo aporte de recursos definido para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve contemplar financiamento à inovação. A medida é considerada importante. As indústrias avaliam que os estímulos para a área aumentaram. É preciso, porém, acelerar o investimento. Para isso é necessário maior rapidez dos órgãos de financiamento, menor burocracia e mecanismos que sejam mais acessíveis às empresas menores.
Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi), avalia que passos importantes foram dados nos últimos dez anos e "não foi pouco". Ele destaca a Lei do Bem, de 2006. Entre as medidas mais recentes, o Plano Brasil Maior, diz, tornou disponíveis linhas de crédito mais amplas. "Há financiamentos que não estão ligados a um projeto específico, mas que dão apoio aos conjunto de iniciativas da empresa no desenvolvimento tecnológico por um determinado período."
Para Almeida, porém, é necessário aumentar a velocidade do investimento em inovação. Uma forma de fazer isso, acredita, é estimular a exportação. "Porque esse tipo de investimento é essencial para conquistar o mercado internacional." A internacionalização, defende Almeida, seja pela transferência de produção ao exterior ou pela exportação, pode acelerar o uso da inovação e o ganho de competitividade.
Hermes Lago, diretor de máquinas e ferramentas da Romi, conta que a empresa se aproveita dos financiamentos voltados à pesquisa e desenvolvimento. Ele lembra, porém, que a natural necessidade de controles torna o pedido complexo e a resposta, demorada. Para ele seria interessante uma agilidade maior que a demanda por desenvolvimento de produtos novos é cada vez mais acelerada. "Para as menores empresas isso é mais difícil e creio que em alguns casos, com critério e acompanhamento, deveria haver aporte de recursos a fundo perdido."
Naércio Menezes Filho, coordenador do centro de políticas públicas do Insper, acredita que os estímulos existentes precisam se tornar mais acessíveis às empresas menores, para que deixem de ser atendidos apenas determinados setores e grandes companhias. "O incentivo da Lei do Bem, por exemplo, só pode ser aproveitado para quem paga IR no sistema do lucro real. Isso tira o benefício das empresas menores que pagam o imposto pelo sistema do lucro presumido." As empresas menores, diz, não querem enfrentar a burocracia para usar os mecanismos de estímulo à inovação e, por isso, ficam à margem. "Na verdade é necessário simplificar todo o ambiente de negócios."
Fonte: Valor Econômico/ Marta Watanabe - 19/04/2012
 


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