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Empresas atraem fundos de dívida

Com uma variedade maior de empresas brasileiras recorrendo ao mercado externo para emitir dívida, os grandes fundos internacionais que compram papéis de renda fixa de países emergentes estão cada vez mais interessados por títulos corporativos do país. Já não olham com o mesmo apetite do passado para os papéis soberanos que, embora ainda paguem alguns dos juros mais altos do mundo, não remuneram tão bem quanto antes. Dentro do universo de dívida corporativa, o segmento de alto rendimento e alto risco ("high yield") também vem ganhando atenção especial dos investidores.
Só no primeiro trimestre deste ano, as empresas brasileiras emitiram US$ 23 bilhões em bônus no exterior, segundo o Valor Data. Muitas empresas têm procurado acessar o mercado neste início do ano, com receio de que um crescimento do pessimismo no mercado externo, especialmente a partir de notícias vindas da China, possa voltar a fechar as janelas de captações no segundo semestre, caminho parecido com o observado no ano passado.
A Pimco, uma das maiores gestoras do mundo em renda fixa, já tem 40% de sua carteira de papéis brasileiros compostos por dívida de empresas. E o percentual tende a crescer, indica a paulistana Brigitte Posch, uma das responsáveis pela carteira de investimentos em emergentes da empresa. A Pimco tem US$ 1,3 trilhão sob gestão e cerca de US$ 75 bilhões aplicados em dívida corporativa de países emergentes. Brigitte diz que o Brasil deve continuar sendo um dos principais alvos dentro desse grupo de países em 2012, assim como foi nos últimos três anos.
Brigitte destaca que um claro sinal da evolução do mercado de renda fixa corporativa do país está na maior variedade de datas de vencimentos dos papéis: em 2008 foram 22 emissores com 36 vencimentos diferentes, sendo que 2011 teve 49 empresas indo a mercado e 117 vencimentos. "A expansão dessa curva [dos vencimentos] é muito importante para quem compra", diz ela, completando que isso ajuda a criar mais adequadamente os preços para os papéis da empresa, dependendo do prazo da emissão. "Os mesmos emissores têm emitido mais vezes, como é o caso da Petrobras. No final isso se traduz em uma maior liquidez no mercado em geral", conclui ela.
Entre as empresas brasileiras que sempre interessaram à Pimco na hora de comprar bônus, segundo a executiva, tradicionalmente estão as do setor de energia e financeiro, "nomes que já eram interessantes antes mesmo de o Brasil virar tendência." Entre as que passaram a despertar mais atenção recentemente estão as grandes ligadas aos setores de commodities, de consumo, de infraestrutura e imobiliário, nessa ordem.
A Fidelity, casa que compra bônus brasileiros há cerca de 20 anos, reconhece uma "tremenda melhora" tanto da quantidade de emissões quanto da qualidade delas nos últimos anos. "No momento, estamos com uma exposição abaixo da média de mercado em títulos soberanos emitidos em dólar, cujos rendimentos consideramos não estarem atrativos", diz Jonathan Kelly, gerente de portfólio da gestora. "Mas estamos acima da média em bônus corporativos. Vemos uma série de empresas brasileiras de nível global e com fortes fundamentos que são negociadas a preços cerca de 200 a 300 pontos básicos mais baixos que os títulos soberanos brasileiros", diz. Para o ano, a Fidelity prevê emissões no mercado externo da ordem de US$ 35 bilhões somente por parte de companhias brasileiras.
Um otimismo geral quanto ao mercado para o Brasil é reconhecido também por Eddy Sternberg, estrategista para mercados emergentes da Loomis&Sayles, com sede em Boston. A empresa, fundada em 1926, tem cerca de US$ 162,6 bilhões sob gestão e compra tanto bônus brasileiros em real quanto em dólar. "O país tem demonstrado sinais macroeconômicos que explicam o interesse por seus ativos de forma geral. É cada vez menos arriscado considerar ativos brasileiros, especialmente aqueles denominados em dólar, e isso tem se refletido nos rendimentos dos papéis", diz ele, ao citar que os títulos soberanos se tornam cada vez menos atrativos em comparação aos bônus corporativos.
Para a TCW, que atende fundos de pensão, seguradoras, "family offices" e clientes individuais, o Brasil também está entre os preferidos. Com patrimônio total próximo a US$ 106 bilhões, a exposição aos mercados em ascensão da TCW ainda é pequena, de cerca de US$ 6 bilhões. No principal fundo da empresa para emergentes, com patrimônio próximo de US$ 3,6 bilhões, o Brasil ocupa fatia de 10,57%, seguido por China (10,07%) e Rússia (9,53%).
"A classe toda de emergentes tem sido muito bem vista. A crise na Europa abriu os olhos de muitos investidores para outras opções", diz a carioca Marcela Meirelles, estrategista de renda fixa para a América Latina da TCW, onde trabalha há seis anos. Ela acredita que o desempenho ao longo deste ano tende a ser parecido com aquele de 2011: concentração de emissões no primeiro semestre e um breque no segundo. "Especialmente se houver um desaquecimento mais forte da economia chinesa", diz. A percepção é compartilhada por Brigitte, da Pimco.
Fonte: Valor Econômico/ Filipe Pacheco - 18/04/2012
 


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