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Bancos privados sinalizam novos cortes

Nos próximos dias, mais bancos devem anunciar campanhas de redução de taxas de juros, seguindo o movimento liderado por Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal no começo deste mês. Segundo o Valor apurou, os maiores bancos privados informaram ao Ministério da Fazenda que pretendem reduzir as taxas de suas linhas de crédito nos próximos dias.
Após um início atabalhoado de negociações com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a cruzada do governo Dilma Rousseff contra as margens de lucro (no conjunto do spread) dos bancos parece começar a render alguns resultados, pelo menos no discurso. Depois de BB e Caixa, Banrisul e HSBC lançaram suas campanhas.
Ontem, foi a vez do Santander. O banco anunciou a redução de diversas taxas de juros cobradas de pequenas e médias empresas do banco, mas negou que a medida esteja relacionada ao movimento iniciado por Banco do Brasil e Caixa. "Estamos treinando a equipe já há 90 dias. Não preparamos isso nos últimos 15 dias", disse Pedro Coutinho, vice-presidente do Santander.
Segundo o executivo, o banco pretende ampliar seus negócios com pequenas e médias empresas no Brasil. "É um segmento terrivelmente importante para o país", afirmou Coutinho. Em dezembro, a carteira de crédito do Santander para esse público alcançou R$ 48 bilhões, com crescimento de 25% em um ano.
Para ter acesso aos custos menores, os pequenos e micros empresários precisam ter contas de pessoas física e jurídica no banco. É a chamada "conta integrada". Além da redução dos juros, o banco está oferecendo ao empresário que migrar a conta corrente para o Santander uma redução de 50% no pacote de tarifas.
A estratégia comercial do banco está bastante associada ao uso de cartões de crédito e débito nos negócios. "Vimos que 75% dos nossos clientes que são pequenas e médias empresas têm a maquininha no estabelecimento", disse o vice-presidente.
A taxa mínima para o capital de giro via cartão recuou de 1,88% para 1,54% ao mês, enquanto a máxima passou de 4,13%para 3,12% ao mês. A taxa do desconto de duplicata foi reduzida da banda de 2,15% a 3,89% para 1,99% a 2,97% e de recebíveis de cartão caiu da faixa de 2,54% a 3,27% para 1,5% a 2%. Por fim, a taxa de juros para o desconto de cheque recuou da faixa de 2,34% a 3,21% para 1,87% a 2,49%.
Procurados pelo Valor, Itaú Unibanco e Bradesco afirmaram que continuam analisando o assunto e que ainda não há decisão tomada sobre mudanças nas taxas de juros.
Para o analista João Sales, da consultoria Lopes Filho, mais bancos devem lançar campanhas de redução de taxas de juros ao consumidor nas próximas semanas. "É um espaço que vai se abrir naturalmente porque os bancos estão esperando a queda do índice de inadimplência no segundo semestre. Não há dúvidas em relação a isso", disse o analista.
Pelos primeiros números divulgados pelos bancos estatais, BB e Caixa estariam aumentando os desembolsos. Na Caixa, a expansão do crédito comercial na primeira semana do programa "Caixa Melhor Crédito" - foi de 13% sobre a semana anterior.
No Banco do Brasil, o balanço de dois dias do "Bom pra todos" indica que a média de desembolsos do BB crediário subiu de R$ 396 mil em março para R$ 731 mil nos dois primeiros dias do programa (12 e 13 de abril).
Mas, para o analista Fabio Zagatti, do Barclays, ainda é cedo para se quantificar se os bancos que anunciaram reduções de taxas estão ganhando mercado. O banco ainda não revisou suas projeções de resultados para os bancos por causa do debate em torno do spread.
"Optamos por não mexer nos números porque, apesar de anunciarem reduções de juros, Banco do Brasil e Banrisul não alteraram as perspectivas de crescimento das carteiras de crédito deste ano", disse Zagatti.
Fonte: Valor Econômico/ João Villaverde/ Carolina Mandl - 18/04/2012


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