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Baixa liquidez ainda trava o secundário

Segundo a agência de classificação de risco Standard & Poor‘s (S&P), foram emitidos US$ 136 bilhões em novas dívidas corporativas de países emergentes no primeiro trimestre de 2012 - as empresas brasileiras sozinhas captaram US$ 23 bilhões no mesmo período, de acordo com dados compilados pelo Valor Data. Para investidores ouvidos pelo Valor, o momento de mercado é bom para bônus corporativos em geral, mas a baixa liquidez no mercado secundário ainda é um ponto que pesa negativamente na hora de comprá-los.
A expansão do uso de indicadores de referência para esses bônus - uma espécie de "Ibovespa" para dívidas corporativas de países emergentes - é indicado pelos investidores como uma saída para tentar destravar o mercado secundário. O banco americano J.P. Morgan criou no fim de 2001 o índice CEMBI (Corporate Emerging Market Bond Index), que se tornou o principal medidor internacional para o acompanhamento do mercado de dívida corporativa de emergentes. Em dezembro de 1993, o mesmo banco americano já tinha lançado um índice do desempenho de bônus soberanos desses mesmos países, conhecido por EMBIG.
Hoje, investimentos vinculados ao desempenho do EMBIG representam mais de metade do valor de mercado de todos os papéis incluídos em sua composição, enquanto o total de investimentos relacionados ao CEMBI ainda está perto de 7% do valor de mercado do medidor - ou seja, ainda há espaço para crescer.
Para a Pimco, a expansão de fundos vinculados ao CEMBI tende a sustentar o crescimento do mercado secundário. Para a gestora, quanto mais fundos vincularem suas posições ao CEMBI, menor será a distância de preços considerados por compradores e vendedores de bônus, o que levaria a um consequente aumento de liquidez dos papéis. "Em geral, somos compradores de longo prazo. Mas somos ativos, não ignoramos a negociação dos títulos no mercado secundário", diz Brigitte Posch, uma das gestoras responsáveis pela carteira de investimentos em emergentes da empresa.
Marcela Meirelles, estrategista de renda fixa para América Latina da gestora TCW, acredita que é preciso apostar na "maior diversificação o possível" para evitar qualquer dificuldade em momentos mais apertados no mercado secundário. "O mercado de títulos corporativos é bem menos líquido, e as gestoras tentam, por isso, ter uma carteira o mais diversificada possível", disse ela.
Para Eddy Sternberg, estrategista para mercados emergentes da gestora Loomis&Sayles, seria interessante uma abertura do mercado interno de dívida no Brasil, feito a partir do modelo implementado pelo México em 1996, quando o país tornou seus títulos "totalmente conversíveis." Assim, uma empresa passou a poder emitir dentro do México em dólares ou em pesos.
"Seria algo extremamente interessante para os brasileiros." Ele ponderou, entretanto, que uma medida do tipo poderiaocasionar forte entrada de dólares no país e levar a uma consequente pressão cambial, o que tem sido fortemente evitado pelo governo.
Fonte: Valor Econômico/ Filipe Pacheco - 18/04/2012
 


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