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Título espanhol paga juro de 6% e assusta investidor

A taxa de juros dos bônus do governo espanhol apresentou alta acentuada ontem, sinal de que aumentou a preocupação dos investidores com a capacidade de pagamento do país em meio ao encolhimento da economia.
O rendimento (taxa de juros) dos bônus governamentais de dez anos chegou a subir para 6,10% no mercado secundário, maior patamar desde que o novo governo conservador do país, do primeiro-ministro Mariano Rajoy, assumiu o cargo em dezembro passado.
No decorrer do dia, o rendimento recuou um pouco em relação ao pico de ontem, para 6,02%. Na sexta-feira, a taxa havia fechado a 5,93%, depois de uma semana de tensão nos mercados. No fim de 2011, essa taxa de referência chegou a superar os 7%.
Embora o governo tenha levado adiante um bombardeio de reformas financeiras e trabalhistas, os investidores continuam preocupados com a situação da Espanha em várias frentes:
1) Os bancos do país estão sobrecarregados com uma montanha de créditos de difícil recuperação, resultantes do colapso do mercado imobiliário em 2008;
2) Muitos dos 17 governos regionais semi-autônomos gastaram desenfreadamente;
3) Projeta-se que a Espanha entrará em sua segunda recessão em três anos neste trimestre, com o banco central do país estimando retração de 1,7% da economia neste ano. O índice de desemprego está em 23%, sendo que entre a população economicamente ativa com menos 30 anos de idade alcança quase 50%.
O aumento no rendimento dos bônus da Espanha aconteceu no início de uma semana em que o Tesouro do país promove duas rodadas de leilões de papéis - uma de notas de 12 e 18 meses nesta terça-feira e outra de bônus de dez anos, referenciais do mercado, na quinta-feira.
O governo insiste em sustentar que não terá problemas para financiar-se neste ano e que os leilões realizados até agora foram bem sucedidos. Isso, contudo, mudou há quase duas semanas, quando um leilão de títulos de dívidas de médio prazo atingiu apenas o mínimo do que o Tesouro almejava, o que desencadeou a onda mais recente de aumento nos rendimentos e voltou a colocar a Espanha no centro da crise das dívidas da região do euro.
Dados divulgados pelo governo na sexta-feira não ajudaram em nada, mostrando que os atribulados bancos do país captaram um recorde de € 316,3 bilhões do Banco Central Europeu (BCE) em março, evidência da dificuldade que enfrentam para conseguir financiar-se por meio de outras fontes. O governo espanhol provavelmente intervirá e assumirá as finanças de um ou mais governos regionais com problema de endividamento antes do fim do ano, segundo afirmou um alto representante do governo espanhol a repórteres.
Algumas das regiões - que funcionam como os Estados dos EUA, mas também controlam os gastos locais em educação e os orçamentos de assistência médica - não conseguem acessar os mercados para se financiar e em breve não terão condições de pagar suas contas sem ajuda do governo federal, de acordo com a autoridade espanhola, que não quis ser identificada. As regiões que receberem socorro financeiro passarão a ter seus gastos controlados pelo governo federal, sob os termos das recentes leis de austeridade aprovadas pelo governo Rajoy.
O índice Ibex 35, referencial do mercado acionário espanhol, registrou baixa de 0,57% ontem, depois do declínio de 3,6% marcado na sexta-feira.
Depois dos resgates financeiros de Grécia, Portugal e Irlanda, a região do euro acertou o aumento do tamanho de seu "firewall" (o muro de proteção financeira) que criou para ajudar os países-membros quando não conseguem levantar dinheiro nos mercados. A economia da Espanha, de € 1,1 trilhão, contudo, tem o dobro do tamanho das três vítimas anteriores juntas. Analistas dizem que o muro de proteção da região do euro, de € 800 bilhões, não é grande o suficiente para lidar com as possíveis ameaças representadas por Espanha e Itália.
O ministro da Economia do país, Luis de Guindos, viajou a Paris ontem para encontrar-se com investidores e tentar convencê-los de que a Espanha está na trilha certa. Ele se reunirá com o presidente do BCE, Mario Draghi, hoje. Os problemas da Espanha também deverão ser abordados em encontro no próximo fim de semana, em Washington, do FMI e do Banco Mundial.
Fonte: Valor Econômico/ Associated Press/ Ciaran Giles - 17/04/2012
 


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