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Reforço no FMI deve ficar em US$ 400 bi

Os países que compõem o G-20 dificilmente vão chegar a uma acordo para reforçar o caixa do Fundo Monetário Internacional (FMI) em reunião nesta semana em Washington. Para colocar mais dinheiro, os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) querem uma reforma mais ambiciosa no poder de voto do organismo. Nos Estados Unidos, onde haverá eleições presidenciais neste ano, não há clima político para novos aportes de recursos no FMI.
Diante do ambiente hostil dos principais membros, a diretora-gerente do FMI, Chistine Lagarde, já deu sinais de que espera um aporte de recursos menor do que os US$ 600 bilhões inicialmente solicitados. Agora, discutem-se valores da ordem de US$ 400 bilhões.
Os ministros das finanças do G-20, grupo que reúne as mais importantes economias avançadas e emergentes, reúnem-se nesta sexta-feira em Washington. O principal ponto na agenda é o pedido de reforço do caixa feito pelo FMI para construir uma espécie de muralha financeira que impeça um eventual contágio da crise financeira dentro da Europa e no resto do mundo.
Fontes ouvidas pelo Valor em Washington dizem que, a menos que haja uma grande surpresa, a decisão sobre o tema será tomada apenas em reunião de líderes do G-20 que ocorre em junho em Los Cabos, no México. Um dos problemas é que os países emergentes que compõem os Brics querem, como contrapartida, uma reforma mais ampla nas cotas do FMI. Os ministros das Finanças dos Brics se reúnem depois de amanhã em Washington.
O presidente americano, Barack Obama, também está pouco disposto a, num ano em que disputa um segundo mandato, pagar o preço político de pedir autorização ao Congresso para reforçar o caixa do FMI.
Na reunião em Washington, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai questionar os valores adicionais que os países membros terão que injetar no fundo para ajudar os países europeus a saírem da crise.
No início do ano, o FMI calculou que seria necessário US$ 1,1 trilhão para ajudar os países, sendo que US$ 600 bilhões (incluindo US$ 100 bilhões em garantias) seriam injetados pelas nações que fazem parte do fundo e outros US$ 500 bilhões dos europeus.
Como as economias europeias já avisaram que vão entrar com € 150 bilhões - inferior ao que foi projetado pelo FMI, segundo uma fonte do governo -, na avaliação do ministro da Fazenda o crédito adicional que os demais países deveriam colocar no fundo também deveria ser reduzido. A expectativa do governo brasileiro é de que a injeção adicional fique entre US$ 300 bilhões e US$ 500 bilhões.
Para o governo brasileiro, uma negociação para o aporte adicional depende ainda do compromisso de que o país terá um aumento de sua participação no fundo. Até janeiro de 2013, estão sendo estudadas as fórmulas que serão utilizadas para redistribuição das cotas do FMI. Já em janeiro de 2014, deverá ocorrer a revisão.
Para o começo de 2014 está prevista a conclusão de uma nova rodada de reforma de cotas do FMI, deslocando poder de voto sobretudo de países desenvolvidos para economias emergentes que estão subrepresentadas. Dados de um documento técnico divulgado há alguns dias pelo FMI indicam que, para haver uma redistristribuição mais profunda de poder, será necessário rever a fórmula de cálculo das cotas.
A última revisão de quotas ocorreu em 2010, mas ainda não foi integralmente implementada porque países desenvolvidos, incluindo os Estados Unidos, não aprovaram a mudança em seus parlamentos. Quando concluída, essa revisão, que tem como data base o ano de 2008, irá aumentar as cotas do Brasil dos atuais 1,78% para 2,31%.
Uma simulação feita pelos técnicos do FMI, porém, mostra que, se o mesma fórmula fosse adotada tendo 2009 como data-base, o Brasil teria uma ligeira perda de cotas, de cerca de 0,05. É altamente improvável a queda da representação brasileira, pois a fórmula ainda está em discussão e, além desses critérios estatísticos, o FMI adota também critérios subjetivos para determinar o peso de cada membro no organismo. Mas o exemplo expõe as distorções causadas pela fórmula atual.
Hoje, o Produto Interno Bruto (PIB) tem um peso de 50% para determinar a quota de cada país. Países emergentes, como o Brasil, gostariam de ver um peso ainda maior para o PIB no cálculo das quotas. O grau de abertura de cada país, calculado pelos fluxos de comércio e serviços, tem um peso de 30% e, em geral, favorece pequenas economias abertas da Europa.
Se a fórmula conferisse um peso de 100% para o PIB, a quota brasileira subiria para 2,72%. A representação da Arábia Saudita, por outro lado, cairia de 2,09% para 0,76%; da Holanda, de 1,83% para 1,23%; e da Bélgica, de 1,34% para 0,72%.
Fonte: Valor Econômico/ Alex Ribeiro/ Edna Simão - 17/04/2012
 


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